OMS contabiliza mais de 900 suspeitos de ebola na República Democrática do Congo
Taxa de mortalidade de epidemia, causada por variante Bundibugyo, varia entre 30% e 50% e não há vacina nem tratamento específico; Uganda registra casos
O número de casos suspeitos de Ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 900, informou neste domingo (25/05) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desses, 101 foram confirmados.
No sábado, o Ministério da Saúde congolês havia reportado 204 mortes entre 867 casos suspeitos. Já na sexta-feira, a OMS elevou o risco de disseminação nacional do vírus no país para o nível “muito alto”. Para a região, o risco é considerado “alto” e, globalmente, “baixo”.
O epicentro do surto é a província de Ituri, onde a situação humanitária agrava o combate à doença. Segundo Tedros, uma em cada quatro pessoas na região depende de ajuda humanitária, enquanto uma em cada cinco está deslocada internamente.
“A violência está obrigando as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e trabalhadores humanitários, o que dificulta seriamente o rastreamento de contatos e a detecção precoce de novos casos”, afirmou o dirigente da OMS.
A desconfiança da população e a circulação de desinformação também atrapalham as operações. Na última semana, manifestantes incendiaram tendas de tratamento após um conflito envolvendo o enterro seguro de uma pessoa que pode ter morrido de Ebola.

Microscopia eletrônica do vírus Ebola na superfície de uma célula
NIAID/ Wikipedia Commons
Propagação preocupa e já atinge Uganda
O vírus já ultrapassou as fronteiras da RDC. Na vizinha Uganda, o número de casos confirmados subiu para cinco no fim de semana. Um cidadão norte-americano infectado no Congo está sendo tratado no hospital Charité, em Berlim, mas não necessita de cuidados intensivos, segundo a instituição.
O atual surto foi oficialmente declarado em 15 de maio, em Ituri. Um dia depois, a OMS declarou “emergência de saúde pública de importância internacional”. De acordo com a OMS, há indícios de que o vírus circulava sem ser detectado há meses.
A contenção enfrenta desafios adicionais porque a atual epidemia é causada pela rara variante Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento específico. A taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%.
























