Parlamentares dos EUA propõem classificar movimento pela independência do Saara Ocidental como terrorista
Proposta integra sequência de iniciativas que apontam para uma aproximação cada vez maior entre Washington e Rabat
Os Estados Unidos ampliaram sua ofensiva diplomática em favor de Marrocos ao dar novos passos para isolar internacionalmente a Frente Polisário, movimento que representa o povo saaraui e lidera a luta pela autodeterminação do Saara Ocidental.
Nesta semana, os congressistas Ronny Jackson (Partido Republicano) e Josh Gottheimer (Partido Democrata) apresentaram um projeto de lei que solicita ao Departamento de Estado avaliar a inclusão da organização na lista de grupos terroristas estrangeiros.
Os parlamentares afirmam que a Frente Polisário representa uma ameaça à segurança dos EUA e de seus aliados. Além disso, alegam que o grupo recebe apoio da Guarda Revolucionária do Irã, acusação rejeitada pelo movimento saaraui.
Caso avance, a proposta dará à administração de Donald Trump instrumentos para abrir uma investigação formal e, eventualmente, impor sanções ao Polisário.
A iniciativa se soma a outras medidas apresentadas no Congresso estadunidense ao longo de 2025, incluindo um projeto do senador republicano Ted Cruz, refletindo o alinhamento crescente de Washington à posição marroquina sobre o território disputado.

Marrocos controla a maior parte do Saara Ocidental desde 1975, após a retirada da Espanha.
Wikimedia Commons
No último domingo (02/08 ), o presidente Donald Trump declarou reconhecer a soberania do Marrocos sobre o Saara Ocidental. Em mensagem enviada ao rei Mohammed VI, o presidente voltou a defender o plano marroquino de autonomia como a única solução “realista” para o conflito e classificou como “inaceitável” a manutenção do atual impasse.
Antiga colônia espanhola, o Saara Ocidental passou a ser ocupado por Marrocos após a retirada da Espanha, em 1975. Desde então, o território é disputado pela Frente Polisário, que reivindica a independência da região e conta com o reconhecimento da ONU como um território não autônomo à espera de um processo de autodeterminação.
A iniciativa dos parlamentares dos EUA reforça uma política inaugurada por Trump em 2020, quando os EUA reconheceram a reivindicação territorial de Rabat no contexto dos Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Marrocos e Israel.
O Marrocos também esteve no centro da recente crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. A onda de travessias começou em 30 de julho e levou cerca de 72 mil migrantes a cruzarem a fronteira em poucos dias, com 100 mortes, segundo dados divulgados pela agência de notícias Reuters.
A crise provocou forte tensão entre os países da União Europeia e chegou a alimentar propostas de setores políticos europeus para suspender a Espanha do Espaço Schengen.
Base militar em Gaza aproxima Marrocos dos planos dos EUA
O alinhamento entre Washington e Rabat também se reflete na Faixa de Gaza. O Conselho de Paz para Gaza, criado pelo governo Trump para conduzir a reconstrução e a futura administração do enclave, aprovou seu primeiro contrato de construção nesta quinta-feira (06/08), que prevê a instalação de uma base militar provisória destinada a receber até 150 soldados marroquinos.
A estrutura ficará em uma área sob controle das Forças Armadas de Israel e deverá integrar a futura Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês).
O projeto representa a primeira etapa de um plano mais amplo que prevê a expansão da instalação para comportar até 5 mil militares. A iniciativa integra a estratégia defendida pela Casa Branca para reorganizar a segurança e a governança do território palestino após a guerra.
*Com informações de Tele Sur.























