Somalilândia nega ter acordo com Israel para abrigar bases e reassentar palestinos
Região separatista reagiu após presidente da Somália acusar movimento independentista de ‘servir como linha auxiliar da limpeza étnica dos palestinos’
A administração regional da Somalilândia, província separatista da Somália, afirmou nesta quinta-feira (01/01) que é falsa a informação de que teria chegado a um acordo com Israel para que, em troca do reconhecimento da sua independência, a região aceitaria abrigar bases militares israelenses e reassentar famílias palestinas expulsas dos territórios da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.
Segundo comunicado, as conversas com Israel estariam se desenvolvendo em “um âmbito puramente diplomático e conduzido em pleno respeito ao direito internacional”.
A declaração acontece horas depois de uma entrevista do presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, ao canal Al Jazeera, publicada nesta quarta-feira (31/12), na qual ele afirmou que o movimento separatista da Somalilândia havia feito um acordo com o governo sionista de Israel.
No acordo, segundo Mohamud, a Somalilândia aceitaria reassentar palestinos em seu território, permitiria o estabelecimento de ao menos uma base militar israelense na costa do Golfo de Áden – nas proximidades do território do Iêmen, país que tem sido um dos mais importantes aliados da causa palestina na região do Oriente Médio – e também formalizaria suas relações com Israel a partir da adesão aos Acordos de Abraão.
Curiosamente, na terça-feira (30/12), dia anterior ao da entrevista do presidente somaliano, o premiê israelense Benjamin Netanyahu confirmou a adesão da Somalilândia aos Acordos de Abraão – documento lançado pelo governo dos Estados Unidos em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, com o objetivo de normalizar as relações entre Israel e os países do Oriente Médio e do Norte da África, que conta com a assinatura de países como Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão, e que é criticado por sua omissão com relação à questão da Palestina.
Na mesma entrevista à Al Jazeera, Mohamud acusou os separatistas da Somalilândia de “se prestar ao papel de ser linha auxiliar da limpeza étnica dos palestinos em nome de interesses de um grupo político”.
Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer a Somalilândia como um Estado independente na semana passada, encerrando mais de três décadas de tentativas fracassadas da região separatista da Somália.

Independentismo da Somalilândia vem sendo criticado por vários países e entidades após receber apoio de Israel
Al Jazeera
Repúdio de EUA e União Africana
O governo de Israel anunciou, no último dia 26 de dezembro, que iria oficializar o reconhecimento da Somalilândia como um Estado independente.
A postura foi repudiada até mesmo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dos maiores aliados de Tel Aviv.
Antes do mandatário estadunidense, quem se manifestou repudiando o alinhamento de Israel com o separatismo da Somalilândia foi a União Africana.
O presidente da Comissão Executiva da entidade, Mahmoud Ali Youssouf, disse que “Israel comete um grave erro ao apoiar uma separação que viola princípios estabelecidos no Ato Constitutivo da União Africana, especialmente no que diz respeito à inviolabilidade das fronteiras herdadas após os processos de independência”.
Com informações de Al Jazeera.























