Quinta-feira, 11 de junho de 2026
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Em clima da Copa do Mundo de 2026 e em memória dos 50 anos do golpe ditatorial na Argentina, o designer gráfico Ariel Cuadra e a organização HIJOS Capital lançaram um álbum de figurinhas com o tema da Copa do Mundo que homenageia as Avós e Mães da Praça de Maio.

“Cinquenta anos após o último golpe cívico-militar, este projeto nasceu como um exercício coletivo de memória, homenagem e união. Para aqueles essenciais à democracia, presentes e eternos na luta, criei um álbum com adesivos para que pudéssemos nos unir, de muitas mãos dadas, e formar um círculo em memória, como eles continuam a fazer”, escreveu em suas redes sociais.

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No álbum, cada estatueta contém o nome completo de uma mãe ou avó, sua data de nascimento, o nome de seus filhos e filhas detidos ou desaparecidos e, no caso das avós, também o nome de seus netos e netas apropriados, independentemente de terem ou não recuperado sua identidade”, enfatiza o projeto.

Entretanto, Cuadra destacou que a proposta “busca cultivar a memória por meio de uma linguagem familiar, cotidiana e popular, convidando as pessoas a compartilhar, trocar e completar figuras como um ato coletivo de construção da memória”.

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O álbum e os adesivos estão disponíveis gratuitamente como um arquivo PDF para download público. O documento também inclui instruções de impressão. “Esperamos que esta atividade coletiva ajude a construir comunidade em muitos lares, centros culturais, escolas e organizações”, disse ele.

O designer também pediu aos interessados em completar o álbum que compartilhem sua experiência por meio de suas redes sociais. Por fim, ele defendeu um país que continue “a abraçar nossas mães e avós, ícones de nossa história, aquelas que se defenderam de toda escuridão para que a Argentina possa viver em justiça e não nas sombras, como tantos outros desejam”.

 

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Um post compartilhado por Ariel Cuadra (@_arielcuadra)

Contexto histórico

As Avós da Praça de Maio são uma organização fundada em 1977 por mães de militantes de esquerda que foram opositores da última ditadura da Argentina e terminaram sequestrados e mortos pelo regime.

Naquela época, a Argentina atravessava os anos mais sombrios de sua história. Apenas um ano antes, em 24 de março de 1976, um golpe de Estado cívico-militar havia tomado o poder, dando início a um plano sistemático de terrorismo de Estado que incluiu sequestros, assassinatos, torturas, desaparecimentos forçados e o roubo de bebês.

Cerca de trinta mil pessoas foram desaparecidas, e em torno de 500 bebês — muitos deles nascidos em cativeiro — foram apropriados pela ditadura.

Nesse contexto, as Mães da Praça de Maio começaram a construir um caminho de luta pela Memória, Verdade e Justiça. Cinquenta anos após o golpe, tornou-se uma das bandeiras mais importantes do movimento popular argentino. A organização continua em atuação.