Aliança de Evo Morales denuncia fraude eleitoral em Cochabamba
Leonardo Loza, candidato apoiado pelo ex-presidente, precisa de apenas mais 2 mil votos para ser eleito no primeiro turno; apuração foi interrompida faltando 3% das urnas a serem apuradas (pouco mais de 30 mil votos)
Em em meio à lentidão da apuração dos votos nas eleições regionais da Bolívia, a Aliança Unidos Pelo Povo, apoiada pelo ex-presidente Evo Morales (2006-2019), acusou o Tribunal Eleitoral Departamental de Cochabamba (TED) de “interromper a apuração de forma injustificada”, após a contagem de 97,1% das urnas – o que significa que faltam pouco mais de 30 mil votos a serem registrados.
Em comunicado difundido nesta terça-feira (24/03), a coalizão afirma que essa situação pode configurar uma fraude eleitoral contra o seu candidato, Leonardo Loza, que lidera a contagem de votos com 39,8% dos votos válidos até agora.
Pela lei eleitoral boliviana, um candidato pode ser eleito com 40% dos votos, se tiver uma vantagem de mais de 10% sobre o segundo colocado – o que Loza também tem, já que o adversário mais próximo, o ultradireitista Sergio Rodríguez, registra 23,7%.
Portanto, o candidato da esquerda em Cochabamba precisa de pouco mais de dois mil votos, entre os 30 mil ainda não registrados, para ser eleito já no primeiro turno.
O comunicado da Aliança Unidos Pelo Povo foi assinado pelo líder da coalizão, Nelson Virreyra, representante da Federação Unificada de Camponeses de Cochabamba.
O parágrafo final faz uma advertência ao TED: “não ousem manipular a vontade democrática do povo, nem pensem em nos forçar a um segundo turno”.
Por sua parte, o TED de Cochabamba afirmou em nota oficial que não recebeu nenhum recurso formal de contestação dos resultados anunciados até o momento. A mensagem, porém, não esclarece o motivo pelo qual a contagem dos votos foi interrompida.

O líder cocaleiro Leonardo Loza e o ex-presidente boliviano Evo Morales
Facebook / Leonardo Loza
Quem é Leonardo Loza
Nascido do movimento sindical cocaleiro – assim como Evo Morales – Loza é militante da Aliança Pelo Povo e também do partido Evo Pueblo, formado por dissidentes do antigo Movimento ao Socialismo (MAS).
A legenda nasceu em 2024 após uma cisão dentro do MAS entre o grupo leal a Evo e outro setor, então hegemônico na sigla, que defendia o então presidente boliviano Luis Arce (2020-2025).
Loza, de 42 anos, também foi senador entre 2020 e 2025, representando o departamento de Cochabamba na câmara alta boliviana.
Com informações de La Razón.
























