‘Apenas para destruir Colômbia e México’, diz Petro ao questionar Netanyahu sobre libertação de ex-presidente hondurenho
Presidente colombiano falou sobre plano que envolve Israel e EUA contra países latinos; Juan Orlando Hernández foi solto após financiamento israelense
O presidente colombiano Gustavo Petro interrogou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pelo seu papel crucial na libertação do ex-presidente de Honduras e traficante de drogas, Juan Orlando Hernández, denunciando objetivos de “destruir” seu país e o México.
“Que motivo o senhor Netanyahu tem para libertar um grande traficante de drogas, o ex-presidente de Honduras, apenas para destruir o governo da Colômbia e do México?”, questionou o líder sul-americano na quarta-feira (06/05), em rede social, referente aos áudios vazados em que Hernández dialoga planos políticos com o atual presidente hondurenho Nasry Asfura. “Isso não mostra que aqueles que lutam na vanguarda contra o tráfico de drogas e são atacados por ele (Netanyahu), somos nós, México e Colômbia?”
¿Que razón tiene el señor Netanyahu para pagar por liberar un gran narcotraficante, expresidente de Honduras, solo con el fin de destruir el gobierno de Colombia y México?
¿Acaso no demuestra que quienes luchamos en vanguardia contra el narco y somos agredidos por él, somos… https://t.co/dc5h0NQu1v
— Gustavo Petro (@petrogustavo) May 6, 2026
Ns mensagens de áudio nos aplicativos WhatsApp, Signal e Telegram obtidas e reveladas pelos veículos Canal RED e Hondurasgate a partir de 29 de abril, o ex-presidente hondurenho, que recebeu indulto de Donald Trump, é ouvido lançando uma estratégia para descredibilizar governos de esquerda na América, incluindo os mandatários colombiano Petro e mexicana Claudia Sheinbaum.
O esquema envolve a participação do presidente Nasry Asfura; do líder do Congresso, Tomás Zambrano; da conselheira eleitoral Cosette López-Osorio; da vice-presidente María Antonieta Mejía.
A operação incluiria setores da direita continental para a fabricação e difusão massiva de desinformação. Nos materiais, Hernández diz que “a ideia é criar arquivos contra ambos os países” por meio de um veículo digital sediado em Washington.

Presidente colombiano Gustavo Petro questiona motivação do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em financiar a soltura do traficante de drogas e ex-mandatário hondurenho Juan Orlando Hernández
César Carrión/Presidencia de Colombia
“Vamos montar uma célula aqui, nos Estados Unidos, para que não nos rastreiem em Honduras. Vai ser como um site de notícias latino-americanas”, diz o ex-presidente a Asfura, em uma conversa de 30 de janeiro de 2026.
“Estive em uma chamada com o presidente [argentino] Javier Milei e foi bem-sucedida. Muito, muito, muito boa. E acredito que, neste ponto, podemos fazer grandes coisas para toda a América Latina. Estão chegando alguns dossiês contra o México, dossiês contra a Colômbia e, o mais importante, contra Honduras. Nesse caso, contra a família Zelaya”, acrescenta.
Conforme os áudios, a operação seria financiada com a má gestão de fundos públicos hondurenhos, incluindo recursos do Instituto Nacional de Esporte (Insep), e com contribuições de governos estrangeiros. Em outro áudio, Hernández explica à vice-presidente María Antonieta Mejía que Milei teria prometido entregar 350 mil dólares para a operação.
“É necessário que eu tenha essa liquidez porque vamos montar um escritório aqui, com o apoio de alguns republicanos, para poder atacar e extirpar o câncer da esquerda de Honduras e de toda a América Latina”, diz Hernández. “Contava ao presidente Asfura que conseguimos falar com Javier Milei, e ele está apoiando com 350 mil dólares também. Outro grande amigo nosso do México está apoiando, já para o tema dos mexicanos. Estamos bastante prontos”.
Os materiais vazados em 29 de abril revelam uma operação de interferência política e corrupção em Honduras que tem como objetivo recolocar Hernández à Presidência com o apoio de Trump e do lobby sionista, incluindo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Com isso, prevê eliminar a resistência interna, reorganizar o Estado e estender seu controle para os Estados Unidos e Israel como base de militarização na América Central.
(*) Com Brasil de Fato e Telesur





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