Após conversa com Trump, Petro endurece ofensiva contra grupo armado
Presidente negou acordo proposto por Exército de Libertação Nacional (ELN) e, visando sua contenção, pediu colaboração do governo venezuelano
Após conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quarta-feira (07/01), o mandatário colombiano, Gustavo Petro, endureceu a ofensiva do seu governo contra o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Segundo o ministro do Interior, Armando Benedetti, durante a conversa foram acordadas “ações conjuntas” contra a guerrilha na Colômbia. Ambos avaliaram ser preciso “bater duro” no ELN, que mantém forte presença no leste colombiano e no território venezuelano.
Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa colombiana, Petro Sánchez iniciou uma visita oficial aos Estados Unidos para desenhar ações destinadas a “afetar de maneira crítica e contundente todas as ameaças transnacionais”, informou o governo.
Reportagem do El País destaca que a política de “paz total”, mantida por Petro em relação a várias grupos armados durante o seu mandato, vem sendo revertida por pressão de Washington, a poucos meses da eleição no país.
Proposta de acordo recusada
O ELN divulgou uma proposta de acordo nacional, rechaçada pelo governo Petro. Citando a crescente pressão geopolítica dos Estados Unidos sobre a América Latina, o grupo armado apontou que a Colômbia vive “uma crise estrutural”, agravada pelo cenário internacional e pela disputa política interna em ano eleitoral. E propôs um pacto amplo, envolvendo forças políticas, sociais e a sociedade civil, em torno de um novo projeto nacional.
Ao responder à organização na plataforma X, o presidente colombiano foi incisivo: “um acordo foi oferecido, mas o ELN o destruiu com fogo e derramamento de sangue, matando humildes agricultores. Esse massacre decorreu da luta pelo controle de plantações e ouro ilícitos”, destacou.
Segundo ele, “nenhuma negociação, como as que estão em curso, pode avançar sem uma solução genuína para a atividade econômica ilícita, o fim do recrutamento de crianças e a devolução de todas as crianças atualmente detidas”. As comunidades “devem reconquistar sua liberdade, e a transformação progressiva do território deve ser planejada em colaboração com elas”, acrescentou.

Após conversa com Trump, Petro endurece ofensiva contra grupo armado
Presidencia de Colombia/Flickr
Colaboração da Venezuela
Na sexta-feira (09/01), o presidente venezuelano postou nas redes sociais que “o narcotráfico deve ser desarmado”. Petro defendeu que “a América Latina deve se defender de qualquer ator que a desestabilize, e isso implica a unidade de seus povos, de suas armas e de seus Estados”. Ele também apelou à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para que eles atuem “juntos nesse objetivo”.
O mandatário colombiano garantiu que em seu primeiro encontro oficial com a Venezuela, irá abordar o desenvolvimento da zona econômica especial para o desenvolvimento agroindustrial de Norte de Santander e Táchira. E passou um recado ao grupo armado: “se o ELN não aderir ao processo de paz deixando a Venezuela, haverá ações militares conjuntas com a Venezuela.”
“Todo o ELN deve se realocar para a Colômbia e iniciar discussões sobre zonas de concentração regionais e planos de participação cidadã para a transformação territorial das zonas de conflito” e “todos os conflitos com outras organizações no processo de paz com o governo cessarão”, afirmou.
Segundo o presidente colombiano, “a propriedade dos territórios passará para os cidadãos desses territórios” e “as transformações serão acordadas com seus habitantes”. Ele também propôs que a “reintegração dos combatentes seja realizada por meio de grandes cooperativas produtivas para substituir o financiamento ilegal”.























