Após semanas de protestos, governo boliviano revoga decreto de aumento dos combustíveis
Presidente direitista Rodrigo Paz retrocedeu da medida e prometeu apresentar nova regulamentação do setor
O governo da Bolívia anunciou neste domingo (11/01) a revogação do Decreto Supremo 5503, que impunha um amplo pacote de medidas neoliberais ao país, incluindo a derrubada do subsídio aos combustíveis.
A medida, imposta pelo presidente de direita Rodrigo Paz em meados de dezembro, despertou uma forte onda de protestos em todo o país, sobretudo por causa do subsídio e o consequente aumento dos preços no setor.
As manifestações foram promovidas por várias organizações sociais, indígenas e principalmente pelos movimentos sindicais do país, liderados pela Confederação Operária Boliviana (COB), que chegou a realizar duas greves gerais em dezembro, além de várias marchas e outros atos.
No entanto, segundo o Ministro do Governo boliviano, Marco Antonio Oviedo, Paz apresentará nos próximos dias um novo decreto para criar uma “nova regulamentação” no setor dos combustíveis.
Oviedo também disse que a futura medida vai “manter os aspectos econômicos” do decreto revogado neste domingo.
“O novo decreto será elaborado em conjunto com as organizações sociais”alegou o ministro, que disse ter um acordo com representantes dos movimentos sociais.
Por sua parte, o líder sindical Mario Argollo, secretário executivo da COB, afirmou que “a decisão do governo mostra que a luta não foi em vão, deu frutos”.
“Quando estamos unidos, ninguém nos subjugará”, ressaltou Argollo, que completou dizendo que “aqui, os ministros não perderam, os líderes sociais não ganharam, a Bolívia ganhou”.

Líder sindical Mario Argollo comemorou decisão do governo de revogar decreto
TeleSur
Decreto revogado
Sob a alegação de que precisava “enfrentar a crise fiscal”, o presidente Rodrigo Paz impôs em dezembro passado o Decreto Supremo 5503, que não só eliminou os subsídios aos combustíveis, como facilitou a liberação dos controles ambientais e legais, concentrando no Executivo as decisões estratégicas sobre exploração de recursos naturais, derrubando a necessidade de aprovação pelo Legislativo.
A questão dos combustíveis causou a reação mais forte, por ter sido o setor onde as consequências chegaram mais rápido, com um aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel.
Com informações de TeleSur.























