Após vitória de Kast, Maduro convida venezuelanos no Chile a voltarem ao seu país
Apoiador declarado de Pinochet, presidente eleito fez campanha em torno da perseguição de imigrantes; líder bolivariano alertou 'migrantes têm direitos'
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou na terça-feira (16/11) a ativação de um Plano Especial de apoio jurídico e diplomático por meio da Grande Missão Retorno à Pátria, destinado a todos os venezuelanos que desejam emigrar do Chile após a vitória eleitoral do candidato de extrema-direita José Antonio Kast.
“Aos venezuelanos que estão no Chile, digo humildemente: retornem à sua terra natal, podem contar conosco… esta é a terra das oportunidades, da felicidade perpétua”.
Durante seu programa Com Maduro+, o chefe de Estado venezuelano reiterou sua denúncia das ameaças feitas pelo presidente eleito do Chile contra os migrantes venezuelanos, que prometeu expulsar os migrantes irregulares e lhes deu um ultimato para deixarem o país antes de 11 de março.
O presidente Maduro rejeitou essas declarações e afirmou que os venezuelanos no Chile “foram traídos, ameaçados”, apesar de serem “pessoas boas, que trabalham, produzem, contribuem… muitos profissionais da área médica, são os melhores médicos do Chile”.
Além disso, ele acusou figuras da extrema-direita venezuelana — María Corina Machado, Leopoldo López e Edmundo González — de apoiarem as ameaças de Kast, advertindo-o: “Cuidado para não encostar um dedo em um venezuelano. Os migrantes venezuelanos têm direitos, e a Constituição chilena deve garanti-los. Quem se meter com a Venezuela será condenado!”.

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, condenou a vitória de José Antonio Kast no Chile e alertou sobre os riscos para a migração
Nicolás Maduro / Telegram
Kast, condenado e autoproclamado apoiador de Pinochet
Referindo-se à vitória eleitoral do candidato de extrema-direita José Antonio Kast, o presidente Maduro descreveu o novo líder chileno como um “nazista criado em uma família nazista e um apoiador confesso e condenado de Pinochet”.
Maduro atribuiu a ascensão de Kast ao enfraquecimento das forças progressistas no Chile, observando que “o chamado progressismo de Boric não era progressismo de verdade” e que “ele virou à direita”.
Em sua análise, o chefe de Estado venezuelano argumentou que “o revés dos movimentos progressistas colocou um autoproclamado apoiador de Pinochet e fascista em La Moneda”.
O presidente venezuelano expressou sua solidariedade ao povo chileno, a quem descreveu como “nobre”, e ressaltou que eles enfrentam “um grande desafio pela frente, com um apoiador de Pinochet no governo”.
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Ao evocar a figura do ex-presidente Salvador Allende, Maduro leu uma frase icônica do líder socialista chileno: “A verdadeira esperança que foi traída retornará às grandes avenidas, derrotando o nazifascismo que busca se impor mais uma vez”.
Por fim, o presidente venezuelano reiterou sua confiança na resiliência do povo chileno e na unidade latino-americana, citando o cantor e compositor Alí Primera: “Chegará o dia em que nosso continente falará com a voz de um povo unido”.
























