Segunda-feira, 13 de julho de 2026
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O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta um novo processo judicial, desta vez por ter contornado o Congresso com um decreto executivo (DNU) que autorizou a entrada de tropas dos Estados Unidos no país para os exercícios “Adaga do Atlântico” e “PASSEX”. A acusação foi feita pelo deputado Juan Marino (União pela Pátria), que criticou o governo por optar por “se submeter à estratégia militar de Trump”.

Em entrevista ao jornal argentino Página 12, Marino acusou o Executivo de autorizar esses exercícios “às escondidas do Congresso, para evitar submetê-los ao debate público”. O principal motivo da denúncia é o Decreto nº 264/2026, que autorizou a entrada de tropas americanas nos exercícios “Atlantic Dagger” e “PASSEX”, nos quais, durante 42 dias, mais de 350 militares operaram em bases em Buenos Aires e Córdoba sob doutrina e comando dos EUA.

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Segundo o deputado, o governo não tem autoridade para autorizar esse tipo de exercício militar e, portanto, afirmou que contornar o Poder Legislativo é “inconstitucional”. A apresentação especifica que o Artigo 75, Seção 28 da Constituição reserva exclusivamente ao Parlamento o poder de autorizar a entrada de tropas estrangeiras e o destacamento de forças nacionais, e que a Lei 25.880 proíbe a autorização por decreto.

A denúncia apresentada pelo parlamentar à Corte Federal cita não apenas Milei, mas também o ex-chefe do Estado-Maior Manuel Adorni, o ministro da Defesa Carlos Presti, o ministro das Relações Exteriores Pablo Quirno e o ex-secretário de Comunicação Javier Lanari.

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Presidente argentino, Javier Milei, e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Foto: JMilei / X / Reprodução

Nesse sentido, a vice-presidente da Comissão de Defesa, Agustina Propato, afirmou que o Executivo pretende “flexibilizar” a entrada de tropas estrangeiras, e que isso fica evidente pelo fato de os exercícios militares planejados para este ano ainda não terem ocorrido. Por sua vez, o ex-ministro da Defesa, Agustín Rossi, falou em “ilegalidade” por ter omitido o debate na câmara, conforme exigido por lei.

Agustín Rossi, falando ao veículo, enfatizou que a decisão de Milei é “uma consequência do alinhamento do governo com os Estados Unidos, já que possui uma política de defesa que é subsidiária à sua política externa”.

Rossi acrescentou que a entrada de tropas norte-americanas “é mais um fato que concretiza essa política de alinhamento”, assim como a participação do governo no Escudo das Américas e o acordo entre a Marinha argentina e o Comando Sul para patrulhar conjuntamente o mar argentino.

O Escudo das Américas é uma coalizão de segurança militar e política promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi lançada sob o argumento de coordenar esforços em nível hemisférico contra o narcotráfico e o crime organizado.