Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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A Casa Rosada não pretende pedir desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após os insultos do mandatário argentino, Javier Milei, que xingou o homólogo brasileiro de “ladrão”, “presidiário” e “esquerdista” durante a convenção do Partido Liberal (PL), no último sábado (25/07) em São Paulo. A informação é do La Nación, em reportagem publicada neste domingo (26/07), com base em fontes diplomáticas e governamentais.

“Não haverá pedido de desculpas”, comentou um alto funcionário da Casa Rosada, familiarizado com a animosidade do presidente argentino em relação ao líder brasileiro. Segundo o jornal, apesar do distanciamento entre os dois líderes latino-americanos, poucas pessoas dentro do governo esperavam um ataque dessas proporções.

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A retratação, afirmam as fontes, também poderá ser dificultada devido a presença da secretária-geral da Presidência argentina, Karina Milei, e do ministro das Relações Exteriores do país vizinho, Pablo Quirno, na cerimônia que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

“Talvez não dizer mais nada seja uma forma de desescalar a situação”, disse uma fonte ao jornal, embora o próprio presidente do país tenha mantido o tom elevado contra o país no domingo, acusando a existência de uma suposta campanha contra a Argentina, por ocasião da Copa do Mundo, com financiamento do Brasil, do México e de democratas norte-americanos.

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“Quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina… o governo brasileiro. 25% dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois vêm me falar de interferência “, declarou à Rádio Mitre.

Reação brasileira

Citando a proximidade das eleições de outubro no Brasil, as fontes ouvidas por La Nación não preveem uma grande crise diplomática neste momento.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, classificou as declarações de Milei na convenção do PL como uma “provocação sem precedentes”. “É especialmente lamentável que esse episódio infame envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou.

Após a agressão verbal de Milei, o Itamaraty chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos e encaminhar a resposta do governo brasileiro à Casa Rosada. Também foi convocado o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Ele já está na capital federal e não há data para seu retorno ao país vizinho.

Argentina descarta pedido de desculpas a Lula por falas de Milei, diz jornal
Gage Skidmore / White House

O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, também reagiu, chamando Milei de “palhaço” em entrevista à Rádio Jornal. Ao comparar os indicadores econômicos dos dois países, ele contestou as declarações negativas sobre a situação brasileira, afirmando que o risco, a dívida pública e a inflação na Argentina são muito maiores. “Você não pode cair na narrativa daqueles que afirmam que a situação se tornará apocalíptica”, reiterou.

Em contraposição ao silêncio do governo argentino, vários políticos e organizações peronistas, incluindo o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, condenaram a postura do ultradireitista. “Ontem, assistimos com consternação à declaração do presidente Milei, na qual ele ofendeu e insultou o governo brasileiro, seu presidente e seu povo. Na Argentina, respeitamos nossas nações vizinhas e irmãs”, afirmou.