Argentina registra 150 casos de feminicídios em 2026, aponta observatório
Organizações de combate à violência de gênero culpam governo Milei pelo desmantelamento de programas, redução de recursos e discurso sexista
O Observatório de Violência de Gênero “Agora Que Eles Nos Veem” registrou 147 feminicídios na Argentina em 2026. Os casos de Juana Mailén Antonich, Milagros Noemí Cabrera e Janeth Anze Colque, ocorridos entre sábado e a madrugada de segunda-feira (03/08), são os mais recentes, elevando o total para 150.
Organizações de direitos humanos e de direitos das mulheres atribuem o aumento desses crimes ao clima de vulnerabilidade fomentado pelo governo de Javier Milei, que desmantelou programas públicos e cortou recursos necessários para a prevenção.
Outras organizações que combatem a violência de gênero, como o Observatório da Violência contra a Mulher (OVcM), também trabalham no registro de casos. Essa organização, que atua na província de Salta, atualizou seus registros provisórios, que incluem casos classificados como feminicídio, transfeminicídio e crimes de ódio sob investigação criminal, além de mortes violentas ou suspeitas de mulheres cisgênero e transgênero ainda não classificadas.
Segundo dados do OVcM, a província de Salta, localizada no nordeste da Argentina, registrou cinco feminicídios e um feminicídio vinculado apenas em 2026. Esse número, referente a julho, já iguala o total de seis feminicídios cometidos no ano passado.

Entre 1/1 e 31/7 de 2026, com base no levantamento e análise da mídia impressa e digital em todo o país, registramos pelo menos 147 vítimas fatais de violência de gênero: 119 feminicídios diretos, 17 feminicídios associados, 7 instigações ao suicídio e 4 travestis/transfemicídios
Foto: Observatório de Violência de Gênero / Agora Que Eles Nos Veem
Além disso, com base na análise da mídia impressa e digital em todo o país, o Observatório “Agora Que Eles Nos Veem” relatou 119 feminicídios diretos, 17 feminicídios vinculados — pessoas assassinadas com o objetivo de punir e afetar psicologicamente uma mulher —, 7 suicídios instigados e 4 travesticídios ou transfeminicídios.
Segundo o relatório, 15% das vítimas fatais mencionadas haviam feito pelo menos uma denúncia de violência de gênero antes de sua morte.
A organização responsabilizou o presidente argentino Javier Milei pelo aumento nos índices de violência de gênero. “O desmantelamento de programas, a redução de recursos e a retórica de negação da violência de gênero têm consequências concretas para a vida de mulheres e pessoas LGBTQ+”, afirmou o Observatório em um comunicado à imprensa na segunda-feira, destacando “um cenário de vulnerabilidade fomentado pelo governo Javier Milei”.
(*) com teleSUR























