Terça-feira, 3 de março de 2026
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Os argentinos iniciaram nesta quinta-feira (19) a quarta greve geral desde o início do governo de Javier Milei, em 2023. A paralisação é contra a reforma trabalhista do governo ultraliberal que, conforme denunciam as centrais sindicais, sucateia as condições e direitos dos trabalhadores do país.

Os protestos ocorrem no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados vota, a partir das 14h (mesmo horário em Brasília), a proposta de Milei, já aprovada pelo Senado argentino na semana passada. O projeto reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, estende a jornada diária de trabalho para até 12 horas e limita o direito de greve, entre outros pontos.

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A paralisação, que começou às 00h01 e durará 24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país. Trens, metrôs, ônibus e aviões não circularam na manhã da quinta e, na noite passada, houve protestos em vários cruzamentos de Buenos Aires.

“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, declarou nesta quarta-feira Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da Confederação Geral do Trabalho (CGT), que antecipou que a medida de força será “contundente”.

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Os principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao protesto. Além disso, 255 voos foram cancelados, em uma medida que afeta 31 mil passageiros, informou a Aerolíneas Argentinas.

Também aderiram os trabalhadores portuários, que paralisam importantes terminais como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo.

População argentina protesta contra reforma trabalhista de Milei
Reprodução / @mavirginiagomez / X

Governo promete violência

O governo divulgou na terça-feira (17) um comunicado no qual advertiu a imprensa sobre o “risco” de cobrir os protestos e estabeleceu uma “zona exclusiva” em uma das ruas laterais da praça para a instalação dos meios de comunicação.

“Diante de fatos de violência, nossas forças atuarão”, diz o texto do Ministério da Segurança, que recomendou aos jornalistas “evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o pessoal das forças de segurança”.

Embora a greve da CGT vá ocorrer sem mobilização, diferentes sindicatos e agrupações políticas anunciaram que marcharão até a Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires.

Na semana passada, quando o projeto de reforma trabalhista foi debatido pelo Senado, milhares de pessoas se reuniram em manifestações que terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos.

A Argentina apresenta sinais de queda na atividade industrial, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho, segundo fontes sindicais.