Terça-feira, 3 de março de 2026
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A Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical da Argentina, convocou uma manifestação para a tarde desta quarta-feira (11/02), em frente ao Congresso Nacional do país, para protestar durante a votação no Senado do projeto de reforma trabalhista, defendido pelo presidente Javier Milei.

Os movimentos sociais alegam que o projeto apresentado promove o corte de direitos históricos dos trabalhadores e obedece a exigências impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em função dos diferentes empréstimos adquiridos pelo país nos governos de Mauricio Macri (2015-2019) e do atual mandatário.

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O início da manifestação está programado para as 14h30 (mesmo hora em Buenos Aires e em Brasília), e pretendem acompanhar todo o período de votação do projeto no Senado.

O Ministério de Segurança da Argentina alertou sobre a forte presença de aparato policial nas ruas em volta do Congresso e em vários outros setores do centro da capital.

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A CGT também prometeu realizar protestos em diversas outras cidades da Argentina, como Córdoba, Rosario, Mendoza e Santa Fé.

Políticos da coalizão peronista União Pela Pátria e do partido Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) declararam seu apoio às manifestações dos sindicatos.

O governador da Província de Buenos Aires, o peronista Axel Kicillof, afirmou que o projeto de Milei “é parecido aos defendidos pela ditadura”, em referência ao período ditatorial argentino entre 1976 e 1983.

Segundo ele, a proposta “priva todos os trabalhadores de seus direitos, e mente ao dizer que vai ‘acelerar contratações’, quando seu efeito prático será facilitar demissões, porque os empresários reclamam que é difícil demitir trabalhadores com as leis atuais, mas facilitar as demissões não vai acelerar as contratações”.

Manifestantes pretendem acompanhar votação do Senado do lado de fora do Congresso
CGT

Mudanças previstas na reforma

Segundo levantamento do site El Destape, as principais mudanças incluídas na proposta de Milei são:

  • Modificação de convenções coletivas de trabalho, com eliminação da prorrogação de validade dos mesmos;
  • Limitação de 0,5% para contribuições e quotas sindicais em acordos coletivos;
  • Transferência da competência dos Tribunais do Trabalho;
  • Revogação de leis específicas para categorias como jornalistas, vendedores viajantes, cabeleireiros, profissionais de artes gráficas, motoristas particulares, entre outros; revogação de leis especiais para trabalho remoto e trabalho doméstico;
  • Novas disposições sobre licença médica, alterando a atual norma que exige pagamento integral do salário em caso de licença por doença ou lesão para uma nova que permite o pagamento de entre 50% e 75% do salário, dependendo do caso;
  • Maior restrição ao direito de greve e ampliação da lista de serviços considerados “essenciais” (cujo direito à paralisação fica restrito);
  • Regulamentação das assembleias sindicais, que não poderão interromper o funcionamento normal da empresa, além de disposição de que o tempo gasto em assembleias não seja remunerado;
  • Redução das contribuições patronais ao Fundo de Assistência Laboral (FAL).

Com informações de Página/12 e El Destape.