Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Centenas de manifestantes em São Paulo participaram nesta quarta-feira (28/01) de um dia continental de mobilização pela soberania da Venezuela e pela libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua companheira, a deputada venezuelana Cilia Flores.

O ato, realizado também em outras 13 cidades brasileiras e várias cidades da América Latina, aconteceu no centro da capital, em frente ao Theatro Municipal, e reuniu cerca de 300 manifestantes, segundo afirmaram os organizadores – a Prefeitura paulistana exigiu que essa fosse a quantidade máxima de pessoas, para que não houvesse obstrução das ruas. O público participante formou um mosaico heterogêneo de faixas etárias (com presença marcante de jovens), composições étnicas e de identidade sexual.

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Convocado por mais de 30 organizações de esquerda, entre partidos, sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais, o ato contou com a performance improvisada de um manifestante com máscara de Donald Trump e vestido dos pés à cartola com as cores dos Estados Unidos, que se postou portando um fuzil de plástico diante de um barril pintado com as cores da bandeira venezuelana, simbolizando a cobiça estadunidense pelo petróleo venezuelano.

O imperialismo e Donald Trump foram os alvos centrais da manifestação, entre gritos de ordem como “fora, Trump”, “fuck you, Trump”, “Trump, tire as garras da Venezuela” e “tire as patas da América Latina”. Também predominaram protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, por sua sigla em inglês), tratado repetidas vezes como a política fascista de Trump.

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Fortalecer defesa da Venezuela

Destacaram-se na manifestação bandeiras da Venezuela e, principalmente, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mas várias outras agremiações se fizeram presentes agremiações como Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Partido da Causa Operária (PCO) e Unidade Popular (UP).

O Partido dos Trabalhadores (PT) não enviou bandeiras, mas foi representado pelo ex-deputado e ex-presidente do partido José Genoino, que fez um discurso, no qual alertou para a necessidade de fortalecer a defesa da Venezuela nas ruas brasileiras.

“Para essa luta ser vitoriosa, temos que ocupar a rua, como estamos fazendo aqui. Essa batalha política é para fazer uma luta latino-americana exigindo que o imperialismo tire as patas da Venezuela. É uma luta dura, uma caminhada longa que temos que colocar nas ruas”. Insistindo na importância da unidade da esquerda para resistir e pressionar o imperialismo, Genoino foi aplaudido ao reforçar o alerta: “Essa luta envolve governos, mas se não envolver as ruas ela será uma luta fraca”, afirmou o ex-ministro da Defesa e ex-presidente do PT.

Cerca de 300 pessoas protestaram pela libertação de Maduro de Cilia Flores em São Paulo
Pedro Alexandre Sanches / Opera Mundi

Temor pelo Brasil

Assim como vários oradores, o presidente nacional da UP, Léo Péricles, manifestou temor de que a agressão de Trump à Venezuela se espalhe para outros países latino-americanos, inclusive o Brasil. “Essa ação dos Estados Unidos mostrou mais uma vez que estamos numa época em que os conflitos não serão mais resolvidos pelo diálogo, em que a exposição das políticas do imperialismo será feita de forma violenta, como fizeram com a Venezuela. Estamos falando também de um dos países mais ricos do mundo, que é o Brasil. Reafirmar soberania não é uma palavra vazia”, ressaltou.

Falando pelo PCB, Cássio Canhoto convocou maiores manifestações para os próximos dias: “no dia 3 de fevereiro fará um mês que Maduro e Cília foram barbaramente sequestrados, o que para nós infelizmente não é uma novidade. Chávez já havia sido sequestrado, e foi devolvido a partir da organização e da mobilização do povo venezuelano. Precisamos fundamentalmente lutar e construir enraizamento dessas lutas para fazer o mesmo com Maduro e Cilia: trazê-los novamente para território venezuelano e para o seio do povo venezuelano”.

A ativista Maria Fernanda Marcelino justificou a presença da Marcha Mundial das Mulheres no ato: “para nós, mulheres, estar aqui na praça não é defender só a Venezuela, mas a América Latina, o Caribe. Quando a guerra vem, é contra o corpo das mulheres que ela se instaura”.

Ela colocou lado a lado a agressão à Venezuela e a guerra de Israel contra a Palestina. “A guerra é patriarcal. Ela entende o corpo das mulheres também como território de conquista, haja visto o que está acontecendo na Palestina, onde o principal alvo são as mulheres e as crianças. Para nós é fundamental defender a paz, não uma paz silenciosa, omissa. Exigir a soltura de Nicolás Maduro e Cília Flores é fundamental para que a paz exista de verdade. Exigimos que Trump tire as patas da Venezuela, e também da Palestina”, acrescentou.

“Temos críticas ao governo Maduro, mas não vacilamos nem um segundo diante da agressão imperialista que Trump está fazendo”, afirmou Lorena Fernandes, da CST. Ressalvas ao governo Maduro, que apareceram em poucos discursos, geraram vaias dos manifestantes.

Manifestante em São Paulo se vestiu como Donald Trump ameaçando o Brasil e a Venezuela
Pedro Alexandre Sanches / Opera Mundi

Demais entidades

Marcaram presença ainda, com bandeiras e discursos, organizações como Frente Brasil Popular (FBP), Central de Movimentos Populares (CMP), Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), Unificação das Lutas de Cortiço e Moradia (ULCM), Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Frente Negra Revolucionária (FNR), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e Federação Sindical Mundial (WFTU, pos sua sigla em inglês).