Terça-feira, 3 de março de 2026
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O endurecimento do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, agora agravado pela interdição de Washington à entrada de petróleo ao país caribenho, vem atingindo diretamente o tratamento de crianças com câncer.

o jornal mexicano La Jornada traz as dificuldades enfrentadas pela equipe médica da ala pediátrica do Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia (INOR), em Havana, para garantir medicamentos, transporte e alimentação às crianças submetidas ao agressivo tratamento de câncer.

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O país que chegou a atingir uma taxa de sobrevivência de 80% para crianças com câncer, agora enfrenta uma taxa de 65%, devido à escalada do bloqueio, desde a chegada do presidente norte-americano, Donald Trump, ao poder.

Os recursos estão cada vez mais limitados, o que obrigou o hospital a alterar seus protocolos de tratamento, substituindo medicamentos de primeira linha, pelos de segunda. Mesmo assim, a taxa permanece acima da média estabelecida pelas organizações internacionais.

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Equipe médica do Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia (INOR), em Havana
INOR / Governo de Cuba

Crise energética

Somados a esses desafios, a atual crise energética provocada pelo bloqueio energético de Trump vem agravando a situação, ao afetar o deslocamento da equipe médica e dos pais e acompanhantes das crianças. Além disso, o acesso aos alimentos que compõem a dieta dos pacientes oncológicos está comprometida.

Segundo a doutora Mariuska Forteza Saéz, chefe de oncologia pediátrica do Instituto, “a situação é muito grave”. “Para os pacientes (assim como para nossa equipe), o transporte e a alimentação são um problema”, em particular, para os pacientes oncológicos que necessitam de uma dieta especial. “Está mais difícil ter acesso a esses alimentos”, relatou.

Ela destacou que a obtenção de medicamentos também se agravou. Alguns pacientes recebiam assistência através de envios de suprimentos por familiares residentes no exterior. “Agora nem isso está disponível. Para onde quer que olhemos, há uma complicação adicional além do que já tínhamos”, avaliou.

A reportagem também cita exemplos de como o bloqueio contra Cuba também prejudica os Estados Unidos, por exemplo, no amplo acesso a medicamentos produzidos pela ilha, como o Heberprot-p, voltado à população diabética. Além da própria ajuda cubana, como a negada no ano passado pelo governo Biden, quando Cuba se ofereceu a contribuir com a reconstrução da Lousiana após a passagem do furação Katrina.

Enquanto o bloqueio permanece, aponta La Jornada, os médicos se desdobram em atenção para garantir às crianças um ambiente acolhedor. O Instituto, que mais parece uma escola do que um hospital, conta com murais coloridos, brinquedos e paredes decoradas com os desenhos feitos pelos pacientes.