Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O turismo cubano sofreu forte retração nos primeiros sete meses de 2026, em meio ao endurecimento das medidas econômicas dos Estados Unidos contra a ilha. Segundo dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (ONEI), Cuba recebeu pouco mais de 794 mil viajantes entre janeiro e julho, aproximadamente metade do registrado no mesmo período de 2025. A chegada de visitantes internacionais caiu 62,8%, com quase 788 mil pessoas a menos em relação ao ano anterior.

A queda atinge um setor estratégico para a obtenção de divisas, conforme aponta a TeleSur. O turismo já vinha enfrentando dificuldades antes do novo agravamento das sanções norte-americanas, mas a política de Washington passou a impor obstáculos adicionais às viagens e às transações envolvendo empresas cubanas ligadas ao setor.

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Em junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, restabeleceu restrições que haviam sido flexibilizadas durante o governo de Joe Biden. A política norte-americana voltou a reforçar a proibição legal de viagens turísticas de cidadãos dos EUA para Cuba e as restrições a operações financeiras com empresas vinculadas às Forças Armadas cubanas, que controlam parte significativa da estrutura turística do país.

Dados da ONEI já haviam mostrado, em 2025, quedas expressivas nas chegadas de turistas não só dos Estados Unidos, mas de importantes mercados europeus e do Canadá. Na tentativa de compensar a retração, Havana passou a buscar novos visitantes, especialmente na China. A Reuters informou que o número de turistas chineses havia crescido 50% em 2024, contrariando a tendência geral de queda.

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O turismo cubano sofreu forte retração nos primeiros sete meses de 2026, em meio ao endurecimento das medidas econômicas dos Estados Unidos contra a ilha
Wikimedia Commons/Fraganda

A deterioração do turismo ocorre em uma economia submetida há mais de seis décadas ao embargo econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos. Segundo os cálculos apresentados pelo governo cubano em seu relatório sobre o impacto da política americana, o bloqueio provocou US$ 170,677 bilhões (cerca de R$ 875,6 bilhões) em prejuízos acumulados, em valores correntes.

O governo cubano utiliza ainda uma segunda metodologia para dimensionar o impacto histórico. Ao corrigir os valores pela desvalorização do dólar em relação ao ouro, o prejuízo acumulado desde o início do bloqueio chega a US$ 2,103 trilhões (cerca de R$ 10,79 trilhões). Portanto, o número de US$ 2,1 trilhões não representa uma estimativa convencional em dólares atuais, mas uma atualização dos prejuízos históricos segundo o critério utilizado por Havana.

O cálculo inclui impactos em diferentes setores da economia e não apenas perdas diretamente relacionadas ao turismo. Havana sustenta que as restrições financeiras, comerciais e de acesso a mercados internacionais também elevam custos de importação, dificultam investimentos e complicam operações bancárias de empresas cubanas.

A pressão se intensificou em 2026. A teleSUR relata que o endurecimento das medidas americanas passou a atingir áreas como energia, finanças, turismo, comércio e transporte. Em agosto, a emissora informou sobre novas sanções norte-americanas envolvendo setores de metalurgia, mineração e comércio.

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