Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O procurador Alexander Mendoza, do Ministério Público do departamento de Beni, na Bolívia, confirmou a abertura de um processo contra Fernando Cerimedo, ex-consultor ligado ao presidente argentino Javier Milei, por sua suposta participação no acobertamento de voos ilegais que transportam drogas.

Segundo Mendoza, “trata-se de um possível esquema de proteção que vinha sendo oferecida no município de Santa Ana, para o qual ele (Cerimedo) estaria dando cobertura. Esse é o termo que vem sendo usado em relação a certas pequenas aeronaves supostamente ligadas ao tráfico de substâncias controladas”.

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As autoridades do Departamento de Beni afirmam que foram apreendidos, em maio deste ano, um carregamento com os chamados “narcopacotes” no valor total de 350 mil bolivianos (cerca de R$ 150 mil), em operação envolvendo um piloto e três policiais, e se suspeita da ligação do consultor argentino com alguns desses detidos.

Com esta, já são três denúncias diferentes abertas contra Cerimedo na Justiça da Bolívia. O Ministério Público também apura a tentativa de feminicídio contra sua companheira, a advogada Nadia Beller.

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Uma segunda investigação por enriquecimento ilícito, através da qual foram descobertos escritório pertencentes ao argentino que abrigavam as chamadas “fazendas de bots”, e que também estariam sob suspeita de formar parte de um esquema de lavagem de dinheiro.

Ademais, o consultor também estaria por trás de um suposto um plano para tentar sequestrar o ex-presidente boliviano Evo Morales (2006-2019) – segundo um dos depoimentos dados por Beller após sobreviver à tentativa de feminicídio.

Pedido de investigação no Brasil

No Brasil, o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a máxima corte amplie as investigações sobre Cerimedo iniciadas na Bolívia e analise as suas atividades no Brasil.

O pedido é baseado no fato de que o consultor argentino também é ligado à família Bolsonaro – em 2023, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chegou a apresentá-lo como um assessor que ajudaria a comprovar supostas fraudes nas urnas eletrônicas usadas durante as eleições presidenciais de 2022.

Cerimedo junto ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro
X / @FERCERIMEDO_OK

No pedido, Falcão solicita que as autoridades brasileiras trabalhem junto com as bolivianas, para que a Polícia Federal possa analisar os equipamentos, documentos e dados apreendidos nos imóveis de Cerimedo e saber se suas atividades envolviam atuação no Brasil – e se essa possível atuação teria caráter lícito ou não.

Falcão também pede que os dados obtidos sejam compartilhados com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).