Bolívia completa 41 dias de protestos com grave escassez de alimentos e combustível
Cerca de 79 estradas estão bloqueadas e se concentram em Cochabamba e La Paz; Administração Rodoviária Boliviana relata danos em seis departamentos do país
A crise política na Bolívia chega ao seu 41º dia nesta terça-feira (09/06) marcada por extrema tensão social devido aos protestos de grupos de oposição que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Essa onda prolongada de protestos paralisou as rodovias nacionais, afetando a estabilidade econômica e social da nação sul-americana.
Segundo dados oficiais de tráfego da Autoridade Rodoviária Boliviana (ABC), 79 rodovias nacionais estavam bloqueadas nesta terça-feira. O órgão técnico especificou que 22 dos bloqueios estavam concentrados em Cochabamba e 19 no departamento de La Paz.
O relatório da ABC indica que Potosí tem 15 pontos de conflito ativos, enquanto Chuquisaca registra 10 bloqueios. Enquanto isso, o departamento de Santa Cruz mantém o fechamento de uma estrada na região de San Julián, rota que dá acesso direto ao departamento de Beni.
Os bloqueios nas estradas estão impedindo o transporte de alimentos, oxigênio medicinal, combustível, medicamentos e outros suprimentos essenciais para a sobrevivência da população civil.
Na capital do governo, La Paz, o transporte urbano opera em nível mínimo devido à escassez de combustível; dezenas de motoristas são obrigados a dormir perto de postos de gasolina para garantir o abastecimento.
Além disso, o impacto comercial se reflete no mercado atacadista, onde o preço do frango inteiro subiu para 120 bolivianos, obrigando a Empresa de Apoio à Produção Alimentar (Emapa) a fechar duas filiais para realizar estoques emergenciais.
Em resposta à escalada do conflito, o presidente Rodrigo Paz promulgou a Lei 1740 no dia anterior. A escassez está aumentando a pressão sobre as autoridades governamentais para que encontrem uma solução negociada para a crise de governança.
Nesse sentido, comitês cívicos, líderes empresariais, sindicatos e autoridades locais uniram-se formalmente ao pedido para que o Executivo nacional declare imediatamente o Estado de Emergência.
Essa medida extrema está sendo solicitada enquanto as famílias enfrentam um bloqueio geográfico que impossibilita a obtenção normal de recursos essenciais.
A crise política na Bolívia está gerando preocupação na região devido ao seu potencial impacto nos fluxos de comércio internacional e na estabilidade democrática do Sul Global. Movimentos populares e observadores regionais concordam sobre a necessidade urgente de restabelecer canais para o diálogo democrático e pacífico, a fim de evitar a vulnerabilidade de populações historicamente marginalizadas e garantir a soberania econômica do país andino diante das tensões políticas internas.
























