Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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O governo da Bolívia enviou formalmente um pedido de ajuda ao Brasil em meio à crise econômica enfrentada pelo país, resultado do pacote de medidas neoliberais lançado no início do ano, e que tem provocado uma grande onda de protestos desde o início de maio.

A solicitação está sendo analisada pelo Itamaraty e teria como ponto principal o empréstimo de um avião para supostamente servir de apoio na distribuição de alimentos em algumas localidades do país.

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O governo do presidente conservador Rodrigo Paz alega que os protestos têm sido o fator que causou os problemas de desabastecimento na Bolívia.

Tal versão é contestada pelos movimentos populares, especialmente pela Confederação Operária Boliviana (COB), que lidera os protestos das últimas semanas, que aponta o fim do subsídio aos combustíveis e outras medidas neoliberais adotadas por Paz como principais responsáveis pelos problemas econômicos enfrentados nlo país.

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Os atos contra o governo tiveram início no dia 1º de maio e, em um princípio, pediam diálogo com os representantes do governo de Paz. Porém, diante da recusa do Executivo em reverter suas políticas, os movimentos passaram a defender a renúncia do mandatário.

Revogação de lei emergencial

O pedido boliviano ao Brasil ocorre em paralelo a uma iniciativa que está sendo impulsionada pelo governo local para revogar a atual Lei do Estado de Emergência, considerá-la limitadora do poder de atuação do presidente Paz.

O projeto para a revogação foi aprovado pelo Senado neste domingo (24/05) e agora segue para seu último trâmite legislativo, na Câmara dos Deputados.

Caso a revogação da Lei seja concretizada, Paz ampliaria seus poderes sobre a atuação das forças de segurança pública frente a manifestações populares.

Os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Entre os defensores da revogação estão grupos políticos ultraconservadores e setores empresariais.

A principal organização por trás do projeto não é um partido político, e sim o Comitê Cívico de Santa Cruz, um dos grupos de lobby mais influentes do país, que pediu publicamente, em um comunicado, que o governo estabeleça um Estado de Emergência para “restaurar a normalidade” no país.

O grupo empresarial também defende a prisão preventiva do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), acusando-o de suposta “incitação à violência” e “tentativa de golpe de Estado”.