Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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Representantes de Javier Milei estão tentando amenizar as agressões feitas pelo presidente argentino contra as autoridades brasileiras. As tentativas de reduzir impactos ocorrem em meio à reação do governo Lula, que convocou seu embaixador na Argentina de volta a Brasília (DF) e exigiu esclarecimentos do mandatário do país vizinho.

O ministro argentino das Relações Exteriores, Pablo Quirno Magrane, disse que o episódio foi apenas mais um em uma “série que vem ocorrendo entre Brasil e Argentina por diferenças políticas e ideológicas que o presidente Milei tem com o presidente Lula”. “O presidente [Milei] participou de um ato partidário. Evidentemente, apoia a família Bolsonaro no Brasil”, disse.

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Ao mesmo tempo em que amenizou as ofensas feitas por seu chefe, o ministro criticou a reação de Lula. “Argentina não eleva e nem elevou esse tema para o nível institucional. Separamos o que é político e ideológico do institucional. Nós tivemos episódios como este que não respondemos. Ou seja, não estamos respondendo e nem vamos responder.” Na fala, feita em um podcast, ele ainda repetiu a acusação de que houve uma interferência brasileira nas eleições de seu país.

Um porta-voz de Milei também buscou, em pronunciamento público, separar as ações do presidente da institucionalidade. “Houve sempre insultos dos dois lados. Creio que são diferenças ideológicas, políticas, mas, pelo menos, a Argentina nunca levou essas diferenças ao plano diplomático. Mas não acreditamos que isso vá impactar na parte diplomática de ambos os países, pelo menos do lado da Argentina. Não é a intenção que isso afete as relações comerciais entre dois povos irmãos que comercializam e que, de fato, têm um ao outro como parceiros comerciais principais, como mostram os números, o Mercosul e a história de ambos.”

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O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno | Crédito: Reprodução X/@pabloquirno

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno
Foto: Reprodução X/@pabloquirno

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro não pretende escalar ainda mais o conflito. Ainda assim, segundo apurou o Brasil de Fato, o embaixador do Brasil não retornará imediatamente para seu posto na Argentina. “A percepção é que o gesto político de chamar o embaixador precisa produzir efeito e que o retorno imediato esvaziaria o sinal diplomático”, afirma a fonte.

A embaixada brasileira no país vizinho permanecerá vazia por algumas semanas, enquanto se aguarda o desdobramento do período eleitoral e se monitora a evolução do cenário político.

Críticas no campo conservador

Candidatos de direita às eleições de 2026 também desaprovaram a participação de Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL), na qual foi lançada a candidatura do hoje senador Flávio Bolsonaro à presidência.

“Fica aquela conversa deselegante em uma convenção que se propõe a ser de um candidato, com aquela baixaria toda. Onde você espera planos de governo”, criticou Ronaldo Caiado, que disputará o cargo de presidente pelo PSD.

Gilberto Kassab, candidato à vice-presidência na mesma chapa e presidente do partido, também falou mal da estratégia de Flávio Bolsonaro, aproveitando para cutucar o atual governo. “Esperava a apresentação de um candidato com propostas. Ele traz um presidente de outro país, que tem relações importantes com o Brasil, para fazer um bate-boca com o atual governo, que também cai na armadilha e baixa o nível”, disse.

“Essa convenção realmente foi um ponto muito negativo do candidato Flávio Bolsonaro; ele mostrou que não está querendo discutir o Brasil”, concluiu.