Candidato de Trump volta a liderar apuração em Honduras
Missão de observadores internacionais divulgou relatório acusando presidente dos EUA de interferir nas eleições do país centro-americano
A apuração das eleições presidencial de Honduras teve uma nova reviravolta n nesta quinta-feira (04/12), quando o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país anunciou que, com 84% das urnas contabilizadas, o candidato Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional, voltou a liderar a disputa, com 40,04% dos votos válidos.
Na mesma parcial, o candidato do Partido Liberal, Salvador Nasralla, caiu para a segunda posição, com 39,74% dos votos.
Em números absolutos, Asfura tem 1,083 milhão de votos, contra 1,075 milhão de Nasralla. A vantagem entre os dois é de pouco mais de oito mil votos.
Em terceiro lugar aparece a candidata Rixi Moncada, do partido Liberdade e Refundação (Libre, por sua sigla em espanhol, que faz trocadilho com versão da palavra “livre”), com 19,16% dos votos (cerca de 518 mil em números absolutos).
Segundo o CNE, ainda não é possível determinar um vencedor da disputa presidencial. Ademais, o sistema eleitoral hondurenho é de turno único, portanto, quem tiver o maior número de votos será declarado como novo presidente eleito, mesmo que não alcance o percentual de 50%.
Vale lembrar que as eleições gerais tiveram sua jornada de votação no último domingo (30/11) e que na apuração ficou interrompida por quase 48 horas, entre segunda e quarta-feira (01 e 03/12) por problemas no sistema de transmissão de dados.
O partido Libre tem denunciado um possível esquema de fraude eleitoral em função da interrupção da transmissão dos dados eleitorais entre segunda e quarta.
Intervenção de Trump e Milei
Nesta quarta-feira (03/12), a Missão Internacional de Observação ligada à Associação Americana de Juristas (AAJ) apresentou um relatório preliminar detalhando seu trabalho durante as eleições gerais em Honduras, no qual concluíram que o processo sofreu interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o informe, houve “uma intervenção externa de enorme gravidade no processo eleitoral, particularmente em função das declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos (Trump) e pelo presidente da Argentina (Javier Milei), que colocaram em risco a legitimidade democrática do processo e constituem flagrante violação do direito do povo hondurenho à autodeterminação”.

Asfura voltou a liderar a apuração das eleições presidenciais de Honduras
Partido Nacional de Honduras
Horas antes da jornada eleitoral de domingo, Trump e Milei publicaram mensagens manifestando apoio a Asfura.
No caso do presidente dos Estados Unidos, também há suspeitas a respeito da decisão de indultar o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández (2014-2022), que se encontrava preso nos Estados Unidos desde 2022 por seu envolvimento com grupos ligados ao narcotráfico.
Hernández: ‘Trump mudou minha vida’
Nesta quinta-feira, dois dias após deixar a prisão, Hernández concedeu uma entrevista na qual agradeceu Trump pelo indulto.
“Minha mais profunda gratidão ao presidente Donald Trump, por ter a coragem de defender a justiça em um momento em que um sistema politizado se recusava a reconhecer a verdade, isso mudou minha vida, senhor, e eu jamais me esquecerei”, afirmou o ex-mandatário.
O indulto gerou controvérsia nos Estados Unidos, devido ao discurso com o qual Trump justifica as agressões no Mar do Caribe, baseado na suposição de que os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Colômbia, Gustavo Petro, estariam envolvidos com o narcotráfico – situação que, no caso de Hernández, já está comprovada pela Justiça e por órgãos de investigação norte-americanos.
























