Terça-feira, 3 de março de 2026
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A Câmara dos Deputados da Argentina votará nesta quinta-feira (19/02) a reforma trabalhista impulsionada pelo governo de Javier Milei, em meio a uma greve geral, de 24 horas, e manifestações em todo o país.

A reforma foi aprovada na semana passada pelo Senado argentino, sob forte repressão aos manifestantes, incluindo a detenção de cem pessoas. Desta vez, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) não chamou a mobilização diante do Congresso, o que foi criticado por outros sindicatos que mantiveram atos na Praça do Congresso.

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Em coletiva de imprensa, Jorge Sola, secretário-geral da CGT, explicou que a central possui um “plano de luta” contra as políticas do governo e que a solução, neste momento, não é “sindical, mas política”. Ele frisou que o principal objetivo é “convocar a reflexão” dos deputados.

Solta garantiu, no entanto, que a greve geral “será contundente” e que não haverá transporte no país, anunciando a adesão dos sindicatos dos ferroviários e dos motoristas de ônibus.

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Ele também lamentou o fechamento, nesta quarta-feira (17/02), da empresa de pneus FATE, levando à demissão de mais de 900 trabalhadores argentinos. “Todo dia se perdem 400 empregos formais, é a ruptura do tecido social, produtivo e laboral”, disse.

Sobre a reforma trabalhista de Milei, Sola foi categórico: “viola os direitos individuais de cada trabalhador, enfraquece os direitos coletivos das organizações sindicais e gera uma grande transferência de recursos econômicos do setor dos trabalhadores para o setor dos empregadores”.

Câmara dos Deputados da Argentina vota reforma trabalhista de Milei nesta quinta (19)
Jorge Láscar/ Wiki Commons

Mobilizações

Apesar da decisão da CGT de não convocar uma marcha rumo à Praça do Congresso, outros sindicatos como a Frente Sindical Unida (FreSU), UOM, Aceiteros, Pilotos, Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) e dois sindicatos da CTA garantiram que vão manter o ato no local, seguido de uma coletiva na Casa de las Madres, na Plaza de Mayo. Eles também confirmaram mobilizações em todo o país.

Rodolfo Aguiar, representante da ATE, disse aos parlamentares que se prepararem “para levar saquinho de chá ou o café instantâneo no bolso, porque não terão ninguém para servi-los na quinta-feira”. A paralisação “na administração pública será total em todo o país”, garantiu.

A União dos Motoristas Navais (SICONARA) também anunciou greve de 48 horas, a partir da meia-noite desta quarta-feira (18/02), afirmando que a reforma trabalhista “ameaça princípios elementares de proteção, deteriora as condições do transporte marítimo e gerará impactos operacionais diretos na logística e no comércio exterior do país”.

Recuo sobre licença médica

Enquanto isso, no Parlamento argentino, o governo Milei foi obrigado a recuar em um polêmico artigo que visava mudar o regime de licença médica no país. A proposta previa redução salarial para os trabalhadores afastados por doença.

Partidos alinhados como o PRO e o MID questionaram a medida, obrigando o governista Liberdade Avança a abandonar a proposta de apenas modificar o artigo, o que levou à sua exclusão integral. “Cometemos um erro porque a lei original não distingue entre doenças”, reconheceu a senadora Patricia Bullrich, líder do bloco governista no Senado.

O restante do projeto, no entanto, segue sem alterações para votação na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (19/02). A modificação, no entanto, obrigará o retorno do texto para nova apreciação no Senado, programada para o dia 27 de fevereiro.

Em busca da aprovação da reforma até 1º de março, a Casa Rosada oficializou a prorrogação das sessões extraordinárias do Congresso até o dia 28.