Sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
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As principais centrais sindicais da Argentina tiveram uma reunião nesta quarta-feira (26/11) com representantes da Casa Rosada para discutir o conteúdo do projeto de “modernização trabalhista” que o governo do presidente de extrema direita Javier Milei pretende apresentar ao Congresso em dezembro.

Estavam presentes no encontro líderes da Confederação Geral do Trabalho (CGT), da União dos Trabalhadores da Construção Civil (UOCRA, por sua sigla em espanhol) e de outras entidades. Por parte do governo, participaram os ministros de Desregulamentação do Estado, Federico Sturzenegger, e da Economia, Luis Caputo, além do porta-voz Manuel Adorni.

De acordo com Gerardo Martínez, presidente da UOCRA e diretor de Relações Institucionais da CGT, as propostas apresentadas pelos funcionários de Milei durante a reunião “vão na contramão das necessidades atuais dos trabalhadores argentinos”.

“Falar de reforma trabalhista em meio a uma situação como a que a Argentina está vivendo, com uma crise econômica e uma onda crescente de cerceamento dos direitos, é algo que os trabalhadores não podem aceitar em hipótese alguma”, declarou o dirigente sindical após a reunião.

Martínez também disse que as organizações sindicais cogitam a possibilidade de uma nova paralisação ou greve geral contra o governo de Milei em função da reforma trabalhista, mas que, por enquanto seguirão apostando na via do diálogo.

“Nossa intenção é continuar negociando, sempre que houver interesse do governo em acatar as nossas propostas, se sentirmos que isso não está acontecendo, não podemos descartar a possibilidade de um conflito”, explicou o dirigente.

Vale lembrar que a CGT já realizou três paralisações nacionais desde o começo do governo de Javier Milei, em dezembro de 2023. A última aconteceu em abril deste ano, enquanto os eventos anteriores ocorreram em janeiro e em maio de 2024.

Segundo líderes sindicais argentinos, não está descartada uma nova greve geral contra o governo Milei
CGT Argentina

‘Nada nosso, tudo deles’

Um dos momentos mais conflitantes do encontro, segundo matéria do diário argentino Página/12, surgiu quando o ministro Sturzenegger disse que o projeto de Milei pretende “reduzir a representação sindical nas empresas, diminuindo o número de delegados”.

Outro ponto que gerou rechaço por parte dos sindicalistas foi a proposta de eliminar a obrigatoriedade de pagamento integral dos salários a funcionários que apresentam licenças médicas.

Segundo o representante da CGT, “nenhum dos pontos levantados por Sturzenegger contém sequer uma menção que mantenha ou amplie os direitos trabalhistas”.

“Absolutamente nada do que foi proposto é para favorecer os trabalhadores. Tudo visa beneficiar os patrões”, afirmou Martínez.

Com informações do Página/12.