Chile apresenta Michelle Bachelet para a Secretaria-geral da ONU com apoio do Brasil e México
Boric disse que Lula e Sheinbaum tiveram posição ‘convicta’ no apoio à ex-presidente chilena; candidata já assumiu Alto Comissariado para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022
O governo do Chile, Gabriel Boric, formalizou nesta segunda-feira (02/02) a candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet à Secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A candidatura terá o apoio do Brasil e do México. O anúncio foi feito pelo mandatário chileno, Gabriel Boric, que estará no cargo até 11 de março, data da posse do novo presidente, José Antonio Kast.
Boric formalizou o anúncio da candidatura ao lado do ministro das Relações Exteriores do Chile, Alberto van Klaveren, do embaixador brasileiro, Paulo Pacheco, da embaixadora mexicana, Laura Beatriz Moreno, e da própria Michelle Bachelet. O nome da chilena já havia sido apresentado para a própria Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, mas ainda faltava a apresentação oficial da candidatura.
O mandatário também agradeceu o apoio do Brasil e México. De acordo com ele, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Claudia Sheinbaum mantiveram um contato permanente nos últimos meses para apoiar Bachelet e tiveram uma posição “corajosa e convicta”.
O chefe do Executivo chileno também exaltou a gestão de Bachelet não só à frente do Palácio de la Moneda por dois mandatos, mas também como alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos de 2018 a 2022.
“Nas ocasiões em que tive a oportunidade de participar de reuniões multilaterais no exterior com a presidenta, a verdade é que o reconhecimento, o respeito e o carinho que ela recebe em todos os cantos do mundo são impressionantes. Bachelet não é apenas uma figura amplamente conhecida e respeitada no cenário global; ela é uma mulher com uma biografia profundamente coerente com os valores que inspiram esta organização e que devem inspirá-la no futuro”, disse Boric.
Bachelet também discursou depois da apresentação. Ela disse que o registro de uma candidatura conjunta reflete “um compromisso compartilhado” e reforça o trabalho de diferentes países por objetivos comuns. Ela também destacou que é preciso continuar apostando no fortalecimento do multilateralismo e na modernização da ONU como “um dos espaços mais importantes do mundo”.
A ex-mandatária disse que o contexto geopolítico é “desafiador” e que um dos seus principais objetivos à frente da organização será trabalhar pela “eficiência na gestão”, confiança e transparência na liderança para “inspirar os povos do mundo mais uma vez”.
“As Nações Unidas devem se renovar para se manterem legítimas, mais modernas, eficientes, transparentes e orientadas para resultados, colocando as pessoas no centro de seu trabalho, com o objetivo de salvaguardar sua dignidade, promover seus direitos e contribuir para a realização de seus sonhos. Dessa forma, estarão contribuindo para um mundo e um planeta mais justo e digno para todos e, sem dúvida, mais pacífico”, disse.

Governo Boric formalizou a candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet à Secretaria-geral da ONU
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Como funciona a escolha
A escolha do novo secretário-geral da ONU é feita em um processo de duas etapas. Primeiro, os governos que quiserem apresentar uma candidatura devem formalizar o nome ao Conselho de Segurança da organização. O grupo recebe todas as candidaturas e começa a negociar.
De acordo com o artigo 97 da Carta das Nações Unidas, o Conselho é responsável por recomendar um nome e enviar à Assembleia Geral. O nome então é votado pela própria assembleia e deve ser aprovado pela maioria. O Conselho pode também enviar mais de um nome e deixar a eleição para o colegiado das nações.
Michelle Bachelet tem 73 anos e foi a primeira mulher eleita presidenta do Chile, cargo que exerceu por dois mandatos: de 2006 a 2011 e de 2014 a 2018. Ela também foi a primeira encarregada da ONU Mulheres, agência das Nações Unidas para a igualdade de gênero. Na ONU, também ocupou a liderança do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, de 2018 a 2022.
Ela é candidata para substituir o português António Guterres, que é secretário por dois mandatos. O atual mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
Até agora, os nomes apresentados para disputar o cargo são: Rebeca Grynspan, da Costa Rica, secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento; Alicia Bárcena, secretária do Meio Ambiente do México; Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados; e o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.
























