Chile: movimentos sociais convocam mobilização nacional contra megarreforma de Kast
Greve de estudantes e manifestações ocorrem nesta quarta (03) sob lema 'Por uma educação a serviço do país'; presidente chileno defendeu redução de imposto para os mais ricos
A Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e o Sindicato dos Professores convocaram novos protestos para esta quarta-feira (03/06) em Santiago, em repúdio aos cortes na educação anunciados pelo Governo e à chamada mega reforma tributária defendida pelo presidente José Antonio Kast em seu pronunciamento público na segunda-feira (01/06).
A medida inclui uma greve nacional de estudantes e manifestações em todo o país. A mobilização em Santiago começará na estação de metrô Baquedano e seguirá sob o lema “Por uma educação a serviço do país”.
A Confederação de Estudantes Chilenos (Confech) anunciou que o dia de ação reunirá estudantes do ensino médio e universitário, juntamente com professores e organizações sociais, exigindo a reversão dos cortes orçamentários e maiores investimentos no sistema educacional. “Diante de propostas que buscam corroer ainda mais nossos direitos e fortalecer um modelo adaptado às necessidades de grandes grupos econômicos, o movimento estudantil responde com organização, mobilização e unidade”, declararam.
Na segunda-feira, enquanto o presidente José Antonio Kast discursava no Congresso Nacional em Valparaíso, manifestações simultâneas aconteciam na cidade portuária e em Santiago. Milhares de estudantes, sindicalistas e membros de grupos sociais se reuniram ao redor da Alameda e da Plaza Baquedano para expressar sua rejeição às políticas do governo.
Chile se organiza en una gran marcha en Santiago, en repudio a las medidas del presimiente Kast pic.twitter.com/cokifJyJhf
— Alicia Informa al Pueblo (@Roja53C) June 2, 2026
Em seu discurso, o presidente defendeu medidas como o aumento dos preços dos combustíveis, o corte nos orçamentos ministeriais e uma iniciativa chamada Lei da Reconstrução, que inclui a redução do imposto de renda para os mais ricos de 27% para 23%.
A Assembleia Coordenadora de Estudantes do Ensino Médio (ACES) declarou que o Governo está promovendo medidas para grandes empresas, ao mesmo tempo que restringe os direitos conquistados nas ruas por estudantes e famílias.
O presidente da Associação de Professores, Mario Aguilar, descreveu o relato público como “fraco” e criticou o programa Escolas Protegidas por priorizar medidas restritivas em detrimento da saúde mental e dos problemas sociais que afetam a comunidade educacional.
À medida que o protesto avançava pela Alameda, sob o lema “O povo os responsabiliza”, as autoridades policiais desviaram o transporte público. A manifestação tentou avançar em direção ao Palácio de La Moneda, mas os agentes da Divisão de Controle da Ordem Pública (COP) dos Carabineiros intervieram para reprimir e dispersar parte da multidão.
Os organizadores denunciaram que a mega-reforma irá aprofundar as desigualdades e pediram ao Parlamento que suspenda as iniciativas que beneficiam as elites econômicas.
Os protestos refletem um clima de crescente tensão social após o discurso de Kast sobre o estado da nação e prenunciam mais dias de mobilização caso as demandas por diálogo sobre educação e políticas sociais não sejam atendidas. Os organizadores afirmaram que as ações continuarão para pressionar por mudanças nas políticas educacionais e tributárias.
























