Sexta-feira, 4 de setembro de 2026
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A senadora Fabiola Campillai, acompanhada da Coordenadora Nacional de Direitos Humanos e Organizações Sociais, entregou uma carta ao presidente José Antonio Kast, no Palácio de La Moneda, expressando uma rejeição categórica às iniciativas de concessão de indultos aos responsáveis por crimes contra a humanidade perpetrados durante a ditadura militar.

O documento entregue na quinta-feira (27/08) ao Palácio de La Moneda, sede do Executivo chileno, destaca que a manifestação ocorre no âmbito do 53º aniversário do golpe de Estado de setembro de 1973, ação na qual, como recorda o texto, as Forças Armadas — com o apoio do empresariado e de setores externos — interromperam a ordem democrática para dar início a 17 anos de regime militar sob Augusto Pinochet.

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Campillai, que acompanhou a entrega da carta, mencionou Patricio Maturana ao falar sobre os indultos. O ex-capitão dos Carabineros foi condenado a 12 anos e 183 dias de reclusão efetiva por coação ilegítima que resultou em lesões gravíssimas. “O homem condenado por atirar uma bomba de gás lacrimogêneo diretamente no meu rosto e me cegar agora desfruta de benefícios como saídas diárias”, relatou a senadora.

“Portanto, temos o direito de nos perguntar: que mensagem o Estado chileno envia às vítimas quando alguém condenado por destruir suas vidas começa a recuperar gradualmente a liberdade, enquanto as vítimas devem viver para sempre com as consequências desses crimes?”, questionou a parlamentar.

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Nessa mesma linha, Campillai criticou os benefícios prisionais para pessoas condenadas por graves violações dos direitos humanos. “Dizemos não ao que, para as vítimas, acaba funcionando como uma espécie de ‘indulto passivo’. Sentenças que existem no papel, mas cuja efetiva aplicação começa rapidamente a diminuir devido aos benefícios prisionais”, afirmou.

“Queremos dizer ao governo que abandone quaisquer aspirações autoritárias e que se comprometa com o respeito irrestrito aos direitos humanos, com a democracia e com o fim da impunidade – ou seja, com a aplicação efetiva das penas”, declarou.

A presidente da Associação de Familiares de Pessoas Executadas Politicamente (AFEP), Alicia Lira, por sua vez, acusou o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Fernando Rabat, de não responder aos sucessivos pedidos de audiência apresentados pela organização.

Da mesma forma, criticou a resposta formal emitida pelo Ministério da Justiça ao solicitar informações sobre possíveis benefícios concedidos aos condenados por crimes contra a humanidade. Segundo Lira, a agência estatal rejeitou o pedido, argumentando que o assunto “não faz parte das atribuições do grupo”.

A carta também aborda a situação do Plano Nacional de Busca na atual administração. A esse respeito, a dirigente afirmou que houve “diversos retrocessos” em questões que os grupos defendem há anos e nas quais, sob a presidência de Gabriel Boric, haviam alcançado progressos inéditos.

A entrega da carta precede a peregrinação agendada para o próximo domingo, 6 de setembro. A marcha começará às 10h em Los Héroes, percorrerá a Avenida Alameda até San Antonio, passará pela Avenida Recoleta e terminará no Cemitério Geral.

Em relação à peregrinação, Lira declarou: “Esta marcha não se trata apenas de homenagear o nosso presidente Salvador Allende no 53º aniversário de seu governo, mas também de cobrar a dívida pendente que o Estado tem para com as vítimas e suas famílias.”

Entre as reivindicações contidas na carta estão a promulgação de uma lei que institua o Plano Nacional de Busca, bem como a rejeição de indultos e anistias para aqueles condenados por violações dos direitos humanos. “Temos que estabelecer um parâmetro, criar precedentes de força e união, e demonstrar que podemos ir às ruas pacificamente”, afirmou Lira.

A senadora Fabiola Campillai e membros da Coordenadora Nacional de Organizações de Diretos Humanos e Sociais do Chile
Prensa Latina

Iniciativa controversa avança no Congresso

O protesto social é uma resposta à tramitação no Congresso Nacional de um projeto de lei promovido por setores da direita que propõe conceder liberdade ou reduzir as penas de pessoas condenadas por violações dos direitos humanos durante o regime de 1973 a 1990, bem como por outros crimes graves.

A iniciativa, que já foi aprovada pelo Senado mas ainda passará por trâmite na Câmara de Deputadas e Deputados, beneficiaria mais de 700 detentos caso seu processo legislativo seja bem-sucedido. Desse número, aproximadamente 370 foram condenados por crimes contra a humanidade e 365 por crimes comuns, como homicídio, estupro e abuso sexual.

Paralelamente a esse debate, parlamentares do governo promoveram petições para que o Executivo aplique a medida de indulto a membros dos Carabineros e das Forças Armadas que estão presos por abusos cometidos durante a repressão aos protestos da revolta social de 2019.

(*) com teleSUR e Prensa Latina