Chile se soma ao México e confirma envio de ajuda humanitária a Cuba
Ilha socialista é alvo de sanções dos EUA há mais de 60 anos e enfrenta crise energética que atingiu ápice após ofensiva de Trump
Após o México enviar navios de ajuda humanitária a Cuba, os ministros chilenos Alberto van Klaveren, das Relações Exteriores, e Camila Vallejo, da Secretaria Geral da Presidência, anunciaram nesta quinta-feira (12/02) que o governo de Gabriel Boric se somará à iniciativa. A ilha caribenha, alvo de sanções de décadas dos Estados Unidos, tem recebido novas ameaças da Casa Branca que, recentemente, anunciou a imposição de tarifas sobre importações de países que lhe fornecem petróleo.
“Estamos determinados a fornecer ajuda humanitária ao povo de Cuba”, afirmou van Klaveren.
De acordo com o chanceler, os recursos para a cooperação com a ilha virão do “Fundo Chileno contra a Fome e a Pobreza”. Durante seu discurso no Palácio de la Moneda, van Klaveren fez alusão ao fato de o Chile ter feito o mesmo em outras ocasiões.
Segundo a autoridade, o fundo chileno “também tornou possível fazer contribuições humanitárias em outras situações muito graves, como aquelas que a Ucrânia vivenciou ao longo de um conflito que já dura quatro anos, a situação em Gaza e também as consequências da passagem de furacões pelo Caribe”.
A iniciativa chilena foi levantada após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump assinar, em 29 de janeiro, uma ordem executiva declarando estado de emergência nacional devido à suposta “ameaça cubana à segurança nacional”. O documento autorizou a imposição de tarifas sobre as importações de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba.
Mencionado pelo jornal chileno La Tercera, o ministro das Relações Exteriores afirmou que está avaliando “a magnitude exata da contribuição”, pois a ajuda humanitária será transportada por intermédio de agências multilaterais, como as Nações Unidas.
“Trata-se de ajuda monetária, que é a forma mais eficiente, e é precisamente a prática que o Ministério das Relações Exteriores tem seguido ao longo dos anos (…) e é canalizada por meio de organizações multilaterais, que operam diversos programas”, explicou, acrescentando que as informações mais detalhadas sobre a operação serão realizadas até sexta-feira (13/02).
“Faremos um esforço de ajuda humanitária, especialmente considerando a situação dramática que Cuba atravessa atualmente”, reforçou.

Governo do Chile anuncia envio de ajuda humanitária a Cuba
Unsplash/@numericcitizen
A iniciativa do governo Boric aconteceu dias depois que o Partido Comunista (PC) pressionou o Executivo referente à situação humanitária em Cuba e o México anunciou o envio de ajuda para a ilha. Entre os líderes do PC que se manifestaram está o presidente da sigla, Lautaro Carmona, que repudiou os “estragos na população e nos serviços básicos” causados pelas medidas dos Estados Unidos.
O anúncio chileno foi recebido por acusações de democratas-cristãos, de direita, que afirmaram que a decisão foi tomada por pressão do PC. No entanto, o chanceler van Klaveren negou, argumentando que o governo está “sendo guiado por um drama humanitário que já dura algum tempo”.
























