Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O Chile terá neste domingo (14/11) sua jornada eleitoral do segundo turno presidencial na qual 15 milhões de votantes devem decidir quem governará o país a partir de março de 2026. As duas candidaturas que estão na disputa são as de Jeannette Jara, do Partido Comunista, e de José Antonio Kast, do Partido Republicano, representante da extrema direita.

A votação culmina uma campanha de segundo turno marcada por forte polarização da sociedade, que capturou a atenção geopolítica, visto que se trata do maior produtor e exportador mundial de cobre e um dos países com as maiores reservas de lítio do mundo.

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Jeannette Jara é a candidata que representa a continuidade do projeto do atual presidente, Gabriel Boric, já que foi sua ministra do Trabalho. Já o extremista José Antonio Kast é figura central da extrema-direita chilena desde 2016.

No primeiro turno, em 16 de novembro, Jara ficou em primeiro lugar com 26,9% dos votos e Kast com cerca de 23,9%, resultado que lhes permitiu avançar para o segundo turno. No entanto, é importante notar que 50% dos eleitores não votaram em nenhum dos candidatos.

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Após o primeiro turno, Kast consolidou uma base de apoio significativa entre candidatos de direita e centro-direita, enquanto Jara concentra-se em seus eleitores fiéis e busca atrair eleitores indecisos e de centro.

Diferentemente do primeiro turno, o voto agora é obrigatório para todos os eleitores registrados, com multas que podem variam de 34 mil pesos (cerca de 200 reais) a 104 mil pesos chilenos (cerca de 600 reais) em caso de reincidência.

Controvérsias e contradições marcaram o período que antecedeu o segundo turno. Na reta final da campanha, um dos temas mais debatidos foi a controvérsia em torno de uma declaração do deputado José Carlos Meza, porta-voz da campanha de Kast, que sugeriu, em um programa de televisão, que a comutação de penas por razões humanitárias – em casos de presos com doenças terminais – deveria ser aplicada também a condenados por abuso sexual infantil.

Esse comentário gerou rejeição em diversos setores políticos e levou um grupo de deputados governistas a solicitar que o Unicef emitisse um pronunciamento sobre a proposta, argumentando que ela inclui casos de abuso infantil na discussão sobre a aplicação de penas.

Em resposta à controvérsia, o candidato Kast tentou se distanciar dessas declarações, ressaltando que essa posição não faz parte da plataforma oficial do Partido Republicano e criticando seus oponentes por explorarem a polêmica para obter ganhos políticos.

A porta-voz do governo, Camila Vallejo, desafiou publicamente Kast a esclarecer seu posicionamento sobre o assunto, destacando o impacto do episódio na agenda midiática.

Os debates televisionados e radiofônicos expuseram outros pontos de tensão. Em alguns deles, Kast foi criticado por apresentar números imprecisos sobre a violência: na última terça-feira (09/12), ele chegou a dizer que o Chile, durante o governo de Boric, registrou média de 1,2 milhão de homicídios por ano, o que, se fosse verdade, significaria, em quatro anos de mandato, a morte de um quarto da população do país, que tem um total de 20 milhões de habitantes.

Outra contradição de Kast foi sua dificuldade em explicar propostas trabalhistas em seu programa, que preveem reverter mudanças como a redução da jornada de trabalho.

Mais de 15 milhões de eleitores deverão votar no segundo turno das eleições no Chile
Ernesto Osorio

Eleitorado Incerto e Efeitos Regionais

O voto obrigatório adiciona um componente decisivo a este segundo turno e obriga setores tradicionalmente abstencionistas a participar. Enquanto isso, o eleitorado chileno está vivenciando um momento de profunda divisão: enquanto um setor percebe a campanha de Kast como uma resposta aos temores sociais – especialmente em relação à insegurança e à migração – e as pesquisas o colocam como um favorito emergente em algumas pesquisas recentes, outros setores temem que uma vitória de Kast signifique um retrocesso nos direitos sociais e civis.

Por sua vez, a candidata Jara reforçou um discurso baseado na expansão dos direitos sociais e na recuperação das políticas progressistas implementadas pelo governo anterior, buscando atrair não apenas sua base histórica, mas também eleitores que apoiaram opções alternativas no primeiro turno, incluindo candidatos centristas em sua plataforma.

O embate entre esses dois projetos não só define o futuro do Chile, como também tem repercussões regionais. Uma vitória de Kast seria vista como a consolidação do avanço da extrema direita em um país sul-americano fundamental. Por outro lado, um possível triunfo de Jara seria interpretado como um vigoroso apoio às forças progressistas em um momento crítico para a esquerda latino-americana.

O Chile vai às urnas neste domingo com uma base eleitoral compelida a participar, um clima de intensa polarização e uma população oscilando entre o medo, a esperança e o anseio por uma direção clara. A eleição, mais do que um simples resultado numérico, será uma medida das tensões sociais e políticas que marcaram o país nos últimos anos.