Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
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Centenas de cineastas, diretores e entidades cinematográficas de diferentes partes do mundo divulgaram, nesta segunda-feira (02/01), nas redes sociais do Festival de Cinema de Havana, uma carta pública em defesa de Cuba e contra as tarifas adotadas pelos Estados Unidos sobre os países que comercializam e fornecem petróleo à ilha.

Denunciando a tentativa de Washington de cercar e obscurecer Cuba, eles prestaram solidariedade ao povo cubano, afirmando que “para o mundo inteiro, Cuba é uma inspiração, nunca uma ameaça”. Entre os signatários, estão os cineastas Jorge Sanjinés (FNCL- Bolívia), Tristán Bauer (ex-ministro da Cultura da Argentina), o ator  mexicano Damián Alcázar e a documentarista equatoriana Yanara Guayasamín.

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Os artistas destacam que as medidas aprofundam o bloqueio econômico contra a ilha, visando sufocar o país caribenho por meio de pressões indiretas dos Estados Unidos sobre outras nações. Eles também contestam as declarações do presidente norte-americano que classificaram Cuba como “uma ameaça inusual e extraordinária”.

“O inusual e extraordinário de Cuba é sua generosidade, sua dignidade e sua capacidade de nos congregar para sonhar e pensar, como Pátria Grande, em um mundo mais justo e mais humano”, afirmam.

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O texto também ressalta o histórico de Cuba na cinematografia mundial, destacando que a ilha ofereceu refúgio e oportunidades a inúmeros cineastas exilados ou perseguidos, consolidando-se como uma “extraordinária fonte de luz para o cinema”.

A bandeira cubana no Museu da Revolução, em Havana
Terry Feuerborn / Flickr

Confira a íntegra da Carta:

Cineastas de todos os cantos do mundo, levantamos nossa voz contra a intenção de cercar e obscurecer Cuba

Nós, que pertencemos à grande família do cinema, manifestamos a nossa rejeição às agressões e ameaças contra o povo de Cuba, do qual nos sentimos parte.

“Cuba é uma ameaça incomum e extraordinária”, afirmou Donald Trump. E anunciou que, com as medidas impostas por seu governo, “Cuba não sobreviverá”.

Mas aqui estamos, para afirmar que o que há de “incomum e extraordinário” em Cuba é sua generosidade, sua dignidade e sua capacidade de nos reunir para sonhar e pensar, como Patria Grande, em um mundo mais justo e mais humano.

Cuba é uma fonte extraordinária de luz para o cinema e o audiovisual. Ela deu abrigo a dezenas de cineastas exilados e perseguidos. Ofereceu espaços, talento e colaboração desinteressada a centenas de filmes e criadores de todo o mundo.

Há 46 anos, milhares de cinéfilos e cineastas se reúnem em dezembro para celebrar o Novo Cinema no Festival de Havana. Milhares de cineastas passaram pelas salas de aula da Escola Internacional de Cinema e TV, desde sua criação em 1986, desenvolvendo olhares e vozes críticas e emancipadoras. Uma imensa rede de criadoras, professoras e investigadoras cresceu em torno da Fundação do Novo Cinema Latino-Americano que, a partir de Cuba, forja a memória e o sentido do cinema do continente. “Tão simples e tão desmedida” é a sua tarefa, nas palavras do seu fundador, Gabriel García Márquez.

Para o mundo inteiro, Cuba é uma inspiração, nunca uma ameaça. Por isso, nós, homens e mulheres do cinema que nos unimos a esta proclamação, rejeitamos a intenção do governo de Donald Trump de cercar e obscurecer Cuba para subjugá-la; e assim como recebemos a solidariedade incomum e extraordinária de Cuba, agora levantamos nossa voz para defendê-la.

Cuba sobreviverá e a esperança do mundo sobreviverá com ela.

O documento pode ser assinado aqui.