Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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A relação entre a Colômbia e o Equador entrou em uma fase crítica após a decisão do presidente equatoriano, Daniel Noboa, de impor tarifas de 30% sobre os produtos colombianos a partir de 1º de fevereiro, medida à qual Bogotá respondeu com tarifas recíprocas e a suspensão temporária do comércio de energia.

O conflito, que teve origem em acusações de falta de cooperação no combate ao narcotráfico, escalou para setores estratégicos como o de energia e petróleo.

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O presidente colombiano, Gustavo Petro, criticou a posição de seu homólogo na quinta-feira (22/01), durante um evento oficial em Leticia, capital do departamento amazônico que faz fronteira com o Brasil e o Peru.

“Nós lhes fornecemos energia quando precisavam. Agora que não precisam mais, estão apenas competindo para ver quem consegue ser o melhor amigo do mais barulhento, mas eu não gosto de gritar”, afirmou Petro, lembrando que a Colômbia apoiou o Equador durante uma grave crise energética marcada por apagões prolongados devido à seca.

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Nesse sentido, o Ministério de Minas e Energia da Colômbia anunciou formalmente a suspensão das Transações Internacionais de Energia Elétrica (TIE) com o Equador, alegando “uma ação preventiva para salvaguardar a soberania e o abastecimento nacionais, em um contexto de alta variabilidade climática e alertas para um possível novo fenômeno El Niño”. A medida baseia-se em análises técnicas do IDEAM (Instituto Colombiano de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais) e do Centro Nacional de Despacho, que alertam para o aumento da pressão sobre o sistema elétrico colombiano.

O Equador, cuja matriz energética depende em 85% de fontes hidrelétricas, enfrenta um déficit projetado de 1.100 megawatts até 2026, segundo a Operadora Nacional de Eletricidade (Cenace). Milton Pérez, analista de energia e ex-presidente do Colégio de Engenheiros Eletricistas de Azuay, alertou à agência de notícias Sputnik que o país “perderia muito” se parasse de receber vendas de energia, o que implicaria o início de apagões.

A Colômbia contribuiu com até 450 megawatts, cruciais para atender à demanda máxima do Equador, que varia entre 4.900 e 5.200 megawatts. Nesse contexto, o presidente Gustavo Petro abordou as acusações do Equador sobre o narcotráfico em seu país em sua conta nas redes sociais, afirmando que a Colômbia está pressionando cada vez mais esse setor e que “se os narcotraficantes estivessem satisfeitos na Colômbia, não estariam migrando em massa para o Equador”.

Milton Pérez enfatizou que a crise energética do Equador é recorrente e estrutural, agravada pela deterioração do parque termelétrico, com mais de 30 anos, e pela falta de implementação de projetos como Santiago e Cardenillo. Em 2024, o país sofreu apagões de até 14 horas por dia, o que o obrigou a contratar balsas e geradores privados , em meio a alegações de corrupção em contratos que teriam causado prejuízos de quase US$ 140 milhões.

Em resposta ao apagão, a Ministra do Meio Ambiente e Energia do Equador, Inés Manzano, anunciou ajustes na tarifa para o transporte de petróleo bruto colombiano pelo Oleoduto de Petróleo Pesado (OCP), com base no princípio da reciprocidade. Essa medida pode impactar negativamente ambos os países, agravando ainda mais as tensões bilaterais no setor petrolífero.

Petro reiterou seu apelo à cooperação regional em segurança e enfatizou que o deslocamento dos cartéis de drogas para o Equador se deve a dinâmicas transnacionais que exigem coordenação binacional e o uso de tecnologia. “A Colômbia não busca transferir o problema do narcotráfico para outros países, mas sim enfrentá-lo em conjunto”, afirmou.