Terça-feira, 3 de março de 2026
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Após se reunirem em negociações nesta sexta-feira (06/02), as delegações do Equador e Colômbia não conseguiram chegar a um acordo para resolver a guerra comercial que colocou ambos os países sob regimes tarifários mútuos desde 1º de fevereiro.

As tensões ocorreram após o governo do presidente equatoriano, Daniel Noboa, acusar a Colômbia de falta de cooperação no combate ao narcotráfico e à mineração ilegal na fronteira.

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O primeiro encontro entre Quito e Bogotá desde o início do conflito comercial, com a ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, e sua homóloga colombiana, Rosa Villavicencio, terminou sem declarações à imprensa e com a manutenção das tarifas de 30%.

Na conversa, ambas as nações abordaram questões de segurança, controle de fronteiras e energia, adiando as discussões sobre comércio bilateral para reuniões futuras, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Equador.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia afirmou ter solicitado ao Equador a suspensão das tarifas sobre produtos colombianos, em vigor desde 1º de fevereiro; contudo, o lado equatoriano recusou o pedido até que resultados sejam alcançados em outras áreas, como a de segurança.

Ambos os países concordaram com a necessidade de “fortalecer as estratégias de combate ao crime organizado transnacional”, avaliando a cooperação bilateral no setor energético e os mecanismos para agilizar a colaboração judicial.

Reunião ocorreu entre ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, e sua homóloga colombiana, Rosa Villavicencio
Cancillería Colombia/X

Segundo a declaração mais recente do lado equatoriano, a Colômbia reconheceu que o problema reside na falta de controle de fronteiras e, portanto, comprometeu-se a tomar medidas para erradicar o cultivo de coca, a mineração ilegal e reforçar o controle na área fronteiriça.

Além disso, o governo colombiano revisará os processos dos presos colombianos que cumprem pena no Equador. Bogotá também prometeu rever o processo de extradição de um cidadão equatoriano procurado por crime organizado e libertado sob proteção internacional, de acordo com um comunicado divulgado pela diplomacia equatoriana.

Em matéria de energia, foi acordada a suspensão das exportações para o Equador e a celebração de contratos financeiros bilaterais entre agentes privados, enquanto Quito se comprometeu a rever a tarifa de utilização do oleoduto e de outras rotas de transporte de hidrocarbonetos.

Contexto

As tarifas de 30% impostas pelo Equador e pela Colômbia entraram em vigor à meia-noite do último domingo (01/02). Pelo lado equatoriano, a medida foi justificada devido ao “desequilíbrio comercial” entre os países, com as exportações colombianas para o Equador totalizando 1,8 milhão de toneladas e as exportações equatorianas para a Colômbia apenas 900 mil toneladas

A medida foi inicialmente promovida pelo governo equatoriano, que aplicou uma “taxa de segurança” às importações colombianas. A decisão foi anunciada pelo presidente Daniel Noboa em 21 de janeiro, acusando a Colômbia de falta de cooperação.

Consequentemente, a Colômbia anunciou as tarifas recíprocas, além de uma ação judicial perante a Comunidade Andina por desrespeito ao que foi acordado no Acordo de Cartagena.

Após esses anúncios, o Ministério das Relações Exteriores e da Mobilidade Humana do Equador respondeu que é “surpreendente” como Bogotá “tenta atribuir a responsabilidade por essa disputa ao Equador”. O governo equatoriano insiste que a origem do conflito reside na “falta de controle efetivo e presença estatal da Colômbia em sua fronteira sul”.

(*) Com Prensa Latina e TeleSUR