Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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Autoridades da Colômbia divulgaram neste sábado (15/08) uma nova atualização sobre as consequências do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu país há cinco dias, e informaram que já há registrados oficialmente 294 mortos, 320 desaparecidos e 3.935 feridos.

O balanço foi difundido pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), órgão do governo colombiano. O número de vítimas fatais vem aumentando à medida que as equipes avançam sobre prédios destruídos e outras áreas atingidas pelo sismo ocorrido na segunda-feira (10/8).

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Após uma reunião entre o presidente Abelardo de la Espriella, o ministro da Habitação, Jaime Andrés Beltrán, e representantes do setor empresarial, o Governo Nacional definiu as principais linhas de ação do chamado “Plano de Reconstrução Milagrosa”, uma estratégia que permitirá a coordenação da resposta imediata e a reconstrução das áreas afetadas pelo terremoto. Não foram divulgados valores a serem gastos, apenas as fases do plano que se estenderá pelos próximos dois anos.

No total, são mais 115 mil pessoas afetadas diretamente pela tragédia. O tremor ocorreu às 7h34, pelo horário local, e teve epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, na região do Pacífico colombiano. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) registra o abalo com magnitude 7,4 e epicentro a cerca de 10 quilômetros do município.

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O terremoto provocou danos em 448 municípios de 15 dos 32 departamentos do país. De acordo com o balanço da UNGRD, 54.008 famílias, ou 115.461 pessoas, foram afetadas. Pelo menos 14.493 casas foram destruídas e outras 81.506 sofreram danos. Também foram registrados colapsos de 170 edifícios, principalmente em Cali, capital do Valle del Cauca, e Pereira, capital de Risaralda.

A destruição atingiu ainda serviços públicos essenciais. O balanço mais recente contabiliza 241 unidades de saúde, 2.612 escolas, 298 estradas, 59 sistemas de abastecimento de água e cinco aeroportos afetados. As equipes de emergência já resgataram 353 pessoas, enquanto continuam as buscas pelos desaparecidos.

O SGC registrou 256 réplicas até a noite de sexta-feira (14/08). O terremoto de 10 de agosto foi considerado pelo órgão como o de maior magnitude registrado na Colômbia na última década.

Buscas entram em nova fase

Cinco dias depois do tremor, as operações de emergência começaram a mudar de perfil. Em áreas onde as equipes consideram encerrada a possibilidade de encontrar sobreviventes, máquinas pesadas passaram a atuar na retirada dos escombros e na localização de corpos.

Pereira e Cali estão entre os locais mais afetados. Em Cali, inclusive, parte do necrotério desabou, obrigando as autoridades a transferir corpos para Palmira, município situado a cerca de 30 quilômetros da cidade.

A dimensão territorial da tragédia também dificulta a resposta. Além das grandes cidades, o terremoto atingiu comunidades rurais e municípios de difícil acesso no Chocó e em outros departamentos. Segundo a UNGRD, a operação envolve equipes de busca e salvamento nacionais, além de grupos internacionais.

Diante do quadro, e embora o terremoto tenha ocorrido há cinco dias, a emergência colombiana está longe de terminar. O número de desaparecidos, de 320 pessoas no balanço mais recente, mantém abertas as operações de busca em diferentes pontos do país.

Além do resgate de vítimas, o governo terá de lidar com dezenas de milhares de imóveis destruídos ou danificados, interrupções em serviços públicos, reconstrução de hospitais e escolas e assistência às famílias que perderam suas casas.

Bombeiros e outras instituições participam dos trabalhos de resgate em zona afetada pelo terremoto
UNGRD Colômbia

Controvérsia sobre a ajuda estrangeira

A resposta do governo de extrema direita do presidente Espriella, empossado apenas três dias antes do terremoto, também passou a ser alvo de críticas por causa da demora na coordenação da ajuda internacional. Na quarta-feira (12/08), o governo anunciou pela UNGRD que limitaria a entrada de equipes estrangeiras de busca e resgate na Colômbia a apenas quatro países: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.

Nas primeiras 48 horas, vários governos anunciaram que estavam dispostos a enviar equipes e equipamentos, mas havia dúvidas sobre quais grupos tinham autorização para entrar no país. Segundo o jornal colombiano El Espectador, até a terça-feira (11/08) os mecanismos internacionais de coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Federação Internacional da Cruz Vermelha ainda não haviam sido formalmente acionados pelo governo colombiano.

O episódio atingiu inclusive equipes mexicanas de resgate. Um grupo estava preparado para viajar, mas aguardava autorização das autoridades colombianas. O chanceler Omar Bula posteriormente negou que o governo tivesse proibido a entrada de ajuda humanitária e afirmou que o país mantinha contato com os governos interessados.

O governo brasileiro esteve entre os países que ofereceram ajuda imediatamente depois do terremoto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade e colocou a estrutura brasileira à disposição da Colômbia.

Nos primeiros dias, porém, a assistência brasileira, assim como a de outros países, não foi imediatamente autorizada ou formalizada pelo governo colombiano. A controvérsia ganhou força porque Bogotá adotou inicialmente uma política de seleção e coordenação dos recursos estrangeiros, enquanto governos e grupos de resgate anunciavam publicamente suas ofertas.

Depois das dificuldades iniciais, Brasil e Colômbia avançaram na coordenação da assistência. O governo brasileiro anunciou posteriormente o envio de ajuda humanitária, após conversas entre os chanceleres Mauro Vieira e Omar Bula. Havia, nas primeiras horas, uma falta de mecanismo centralizado para receber, autorizar e distribuir a assistência estrangeira. O diretor da UNGRD, David Tamayo, afirmou que o país começava a formalizar pedidos de apoio internacional conforme entrava em uma nova fase da emergência.

A situação provocou críticas na imprensa colombiana porque, diante do número crescente de desaparecidos, cada hora era considerada relevante para as operações de busca. Ao mesmo tempo, o governo argumentou que a Colômbia possuía capacidade própria significativa: são 23 equipes de Busca e Resgate Urbano com cerca de mil socorristas e classificadas internacionalmente junto ao sistema de busca e resgate das Nações Unidas.

O Banco Mundial já anunciou US$ 200 milhões para atender à emergência e iniciou uma avaliação dos custos do desastre. Os Estados Unidos também ampliaram sua assistência, que chegou a US$ 26,5 milhões, segundo o balanço divulgado neste sábado (15/08).