Colômbia: futuro ministro das Finanças anuncia austeridade e afirma que 'festa acabou'
Miguel Gómez Martínez declarou cortes em gastos públicos, extinção de ministérios e revisão de orçamento visando redução do Estado; novo governo assume dia 7 de agosto
O governo eleito da Colômbia, liderado por Abelardo de la Espriella, anunciou nesta quarta-feira (01/06) um plano de ajuste econômico que visa cumprir a promessa de campanha do ultradireitista de reduzir em 40% o tamanho do Estado. A posse do novo governo está marcada para o dia 7 de agosto.
Para atingir esse objetivo, De la Espriella nomeou o economista Miguel Gómez Martínez, ex-embaixador da Colômbia na França durante o primeiro mandato de Álvaro Uribe Vélez, e ex-presidente do Banco de Comércio Exterior da Colômbia (Bancóldex) e da Câmara de Comércio Colombiano-Americana.
Martínez afirmou que irá adotar medidas de austeridade econômica no país, incluindo a revisão dos gastos públicos e a extinção de ministérios; além de emplacar uma reforma tributária e retomar a exploração de petróleo e gás, por meio do fraturamento hidráulico (fracking). Segundo ele, a prioridade agora é reduzir o elevado déficit fiscal do país, que alcançou 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em entrevista à Blu Radio, o futuro ministro criticou a condução econômica do governo Petro. “As pessoas precisam entender que não estamos aqui para continuar a festa”, afirmou. “Já não há como continuar financiando o gasto público por meio da dívida. Isso precisa ficar muito claro na mente dos colombianos”, declarou.
Segundo ele, a situação fiscal da Colômbia é insustentável. Ele afirmou que, entre janeiro e abril deste ano, o governo gastou, em média, 40 trilhões de pesos por mês, e arrecadou 28 trilhões de pesos, gerando um déficit mensal de 12 trilhões de pesos. “O que recebo é ruim, muito ruim”, declarou.

Governo eleito da Colômbia, liderado por Abelardo de la Espriella, anunciou nesta quarta-feira (01/06) um plano de ajuste econômico
@ABDELAESPRIELLA
Cortes e investimentos privados
Segundo o economista, os detalhes do plano de austeridade ainda serão definidos, mas ele adiantou algumas medidas. Em relação à reforma tributária, disse que ela será muito diferente da apresentada pelo governo Petro, visando estimular o crescimento econômico, alavancar os investimentos privados e não ampliar a carga tributária.
Em relação ao enxugamento do Estado, ele afirmou que o orçamento federal deverá crescer abaixo da inflação, a partir de 2027. Informou, também, que será feita uma revisão detalhada das contas públicas para reduzir a dívida pública, superior a 1.200 trilhões de pesos.
Na área energética, ele defendeu a retomada da exploração de petróleo e gás. “A realidade é que o país empobreceu em termos energéticos. Suas reservas de petróleo e gás diminuíram e, nessas condições, é muito complicado que a economia cresça”, declarou.
























