Colômbia responde e eleva tarifas em 50% sobre produtos do Equador
Anúncio de retaliação ocorre em meio a tensões entre Quito e Bogotá sobre combate ao narcotráfico na região
O governo da Colômbia anunciou nesta sexta-feira (27/02) que irá aumentar as tarifas impostas sobre 73 produtos equatorianos, passando de 30% para 50%. O anúncio decorre dos desentendimentos entre Quito e Bogotá acerca do combate ao narcotráfico na região.
A medida, anunciada pela ministra do Comércio da Colômbia, Diana Marcela Morales, surge após o governo do Equador anunciar medida semelhante na última quinta-feira (26/02). De acordo com Quito, produtos colombianos também serão taxados em 50% (anteriormente era em 30%), a partir de 1º de março. O país alegou que a Colômbia “não implementou ações suficientes para resolver problemas relacionados ao narcotráfico”.
O petróleo bruto colombiano transportado pelo Sistema de Oleoduto Transequatoriano (SOTE) está entre Entre os produtos taxados pelo Equador. O país presidido por Daniel Noboa aumentou 900% a taxa cobrada sobre o produto, representando um aumento para US$30 (R$156,60) por barril.
“Vamos apresentar a proposta não apenas para aumentar as tarifas das 73 subposições tarifárias, mas também para considerar outros produtos que possam gerar algum grau de sensibilidade devido às medidas que o Equador tomou hoje”, afirmou Morales em entrevista à Blu Rádio.
Por sua vez, o presidente do Equador reafirmou que a Colômbia não coopera na segurança da fronteira, região crítica para o tráfico de cocaína e o contrabando de mercadorias.

Ministra do Comércio da Colômbia, Diana Marcela Morales afirmou que a medida vai valer para 73 produtos equatorianos
@dmmoralesr
Consequências
A escalada da disputa tarifária entre Colômbia e Equador pode dificultar a exportação em larga escala de produtos como frutos do mar, óleo de palma, arroz e madeira.
Segundo dados da Federação Equatoriana de Exportadores (Fedexpor), as tarifas impostas pela Colômbia impactam US$ 5,25 milhões (R$27,4 milhões) em exportações semanais, valor que representa um terço do total das exportações equatorianas para esse mercado.
“Essa sobretaxa é resultado da absoluta falta de fiscalização na fronteira por parte da Colômbia; até mesmo o exército foi retirado a várias centenas de quilômetros de distância, o que dobra nosso custo de proteção da fronteira, para quase US$ 400 milhões (R$2,09 bilhões) adicionais por ano”, afirmou um porta-voz do governo equatoriano em Quito.
Contexto
As tarifas de 30% impostas pelo Equador e pela Colômbia entraram em vigor à meia-noite do dia 1º de fevereiro. Pelo lado equatoriano, a medida foi justificada devido ao “desequilíbrio comercial” entre os países, com as exportações colombianas para o Equador totalizando 1,8 milhão de toneladas e as exportações equatorianas para a Colômbia apenas 900 mil toneladas.
A medida foi inicialmente promovida pelo governo equatoriano, que aplicou uma “taxa de segurança” às importações colombianas. A decisão foi anunciada pelo presidente Daniel Noboa em 21 de janeiro, acusando a Colômbia de falta de cooperação.
Consequentemente, a Colômbia anunciou as tarifas recíprocas, além de uma ação judicial perante a Comunidade Andina por desrespeito ao que foi acordado no Acordo de Cartagena.
(*) Com Prensa Latina e TeleSUR
























