Colômbia vai às urnas com governista e outsider ultraliberal liderando as pesquisas
Eleição definirá sucessor de Gustavo Petro; analista aponta que paz e economia são temas centrais do debate entre esquerda e extrema direita colombiana
A população colombiana vai às urnas neste domingo (31/05) no âmbito do primeiro turno das eleições presidenciais que irão definir quem governará a nação pelos próximos quatro anos, assumindo a sucessão do atual chefe de Estado Gustavo Petro.
Os dois candidatos que lideram as intenções de voto são o senador esquerdista Iván Cepeda, da sigla governista Pacto Histórico, e o advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria.
“O debate entre a direita e a esquerda colombiana está sempre em torno dos conflitos que existem, principalmente pela disputa pela terra e pela economia do narcotráfico”, observa a analista internacional Amanda Harumy a Opera Mundi.
De acordo com o Registro Nacional, mais de 40 milhões de cidadãos colombianos estão aptos a votar em território nacional, sendo aproximadamente 1,5 milhão no exterior. O período de votação para os eleitores fora do país começou em 25 de maio e terminará neste domingo (31/05).
Ao todo, serão instaladas 118.346 seções eleitorais em 13.489 localidades – 6.010 serão colocadas em áreas urbanas e 7.479 em áreas rurais, de forma que a população fora das metrópoles tenha as garantias necessárias para participar do pleito.
Dessa forma, a internacionalista destaca dois pontos para o olhar dos colombianos em relação à futura vitória do pleito eleitoral: a paz e a economia. Primeiro a questão social do conflito, na Colômbia existe um trauma histórico de guerra, massacres e muita violência política.
“O tema da paz sempre importa muito e eles se posicionam a partir disso. Ser contra ou a favor do processo de paz e das negociações. No atual mandato, Petro utilizou a estratégia da paz total, que era tentar incluir diálogos com todos os grupos, todas as dissidências, todos os paramilitares que existem na Colômbia para desarticular o conflito”, explica.
Essa estratégia leva ao segundo tema importante que é a economia, combatendo a estrutura de poder da guerra e do narcotráfico.
“Precisa ter uma economia alternativa: a economia da paz. E a reforma agrária é fundamental, diversificação dos cultivos também, aumentar o turismo. Então existe também um crescimento econômico possível, uma expectativa com esse novo cenário de paz que a esquerda e o Iván Cepeda defendem”, disse.

Colombianos vão votar para o primeiro turno do pleito eleitoral neste domingo (31/05)
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No entanto, Harumy observa que está sendo uma eleição “muito violenta de uma disputa grande a partir de ataques terroristas dos grupos dissidentes” , ou seja, que utilizam essa dinâmica da disputa para “tensionar ainda mais esse debate sobre segurança pública”.
Para a cientista política, é a partir desse cenário que Abelardo de la Espriella cresce politicamente, “desgastando a imagem da esquerda, sempre querendo relacionar a legenda com a guerrilha, sendo que o contrário, o principal projeto de defesa da esquerda hoje é o processo de paz e desarmamento desses conflitos”.
“A atual eleição, que tem a candidatura de Iván Cepeda, significa a continuidade de um projeto da esquerda, por parte do governo Petro, que também vem sendo solidificado a partir da criação do Pacto Histórico”, declara.
Para uma vitória imediata sem que haja necessidade de um segundo turno, o candidato presidencial precisará de “metade mais um dos votos expressos”, conforme prevê a Constituição colombiana.
Na ausência de uma maioria absoluta, uma nova votação será realizada três semanas depois, e nela disputarão somente os dois nomes com o maior número de votos adquiridos no primeiro turno.
Segundo Harumy, “a urgência da vitória da esquerda é a urgência da paz regional e também de vencer essa extrema direita. Seria a primeira vitória desde que Donald Trump ganhou nos Estados Unidos e começou a intervir em todas as eleições na América Latina, como na Argentina, Chile e Honduras”.
“Seria uma vitória regional muito importante e inclusive uma prévia do que a gente pode viver aqui no Brasil no segundo semestre”, pondera analista política.
























