Congresso do Peru aprova impeachment de presidente interino José Jerí
Conservador é o sexto mandatário destituído no país em menos de oito anos; sua queda acontece dois meses antes do primeiro turno das eleições presidenciais no país
O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira (17/02) o impeachment do presidente interino José Jerí, devido às acusações que o envolvem em um de suposto esquema de corrupção e tráfico de influência.
O impeachment foi baseado em uma moção de censura relativa a supostos encontros semiclandestinos entre Jerí e empresários chineses que possuem contratos com o Estado.
A votação do caso no Parlamento unicameral peruano terminou com 75 votos a favor da destituição de Jerí, 24 contra e três abstenções. A aprovação requeria um quórum mínimo de dois terços, ou seja, 66 votos.
A queda de Jerí acontece menos de dois meses antes do primeiro turno das eleições presidenciais no país marcado para o dia 12 de abril.
Oficialmente, presidente interino deposto afirmava que não iria disputar as eleições presidenciais, apesar de ter direito a fazê-lo.
Entretanto, com o impeachment aprovado, ele pode perder os direitos políticos e não poderá sequer concorrer à reeleição para seu cargo parlamentar.
Substituto
Uma vez aprovado o impeachment, o presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, determinou que será realizada nesta quarta-feira (18/02) uma votação no próprio Parlamento para escolher um novo presidente interino para o país, que cumpra os pouco mais de cinco meses que faltam para a conclusão do atual mandato, em 28 de julho.
Segundo o diário peruano La República, quatro candidatos disputarão o cargo: Héctor Acuña (partido Honra e Democracia, de direita conservadora), Maricarmen Alva (Ação Popular, de centro-direita), Édgar Reymundo (Bloco Democrático Popular, de centro-esquerda) e José Balcázar (Peru Livre, de esquerda).
Seis derrubados em oito anos
Com o impeachment, Jerí se torna o sexto presidente peruano derrubado do seu cargo em um período de menos de oito anos.
A série de quedas presidenciais teve início com Pedro Pablo Kuczynski, que venceu as eleições de 2016 e renunciou ao cargo em março de 2018 para escapar de um impeachment. Em seu lugar assumiu o vice, Martín Vizcarra, destituído em novembro de 2020.
O terceiro da lista foi também o mais breve: Manuel Merino durou apenas cinco dias no cargo, entre 10 e 15 de novembro de 2020, sendo substituído por Francisco Sagasti, que assumiu como interino e se manteve até o final do mandato, em julho de 2021 – dos sete presidentes que o Peru teve nos últimos dez anos, ele foi o único que não foi destituído.

Presidente interino José Jerí durou apenas quatro meses no cargo
Presidência do Peru
Eleito nas últimas presidenciais do país, Pedro Castillo foi destituído em dezembro de 2022, após superar duas tentativas de impeachment, em 16 meses no cargo.
A vice de Castillo, Dina Boluarte, entrou em seu lugar e se tornou a primeira mulher a governar o Peru, mas terminou sendo a quinta da lista de destituídos, em outubro de 2025 – foi também a que mais tempo permaneceu no cargo, durante dois anos e dez meses.
José Jerí foi indicado como presidente interino do Peru por ser o presidente do Congresso quando Boluarte foi derrubada. Ele se manteve no cargo por apenas quatro meses.
Com informações de La República.
























