Domingo, 8 de fevereiro de 2026
APOIE
Menu

Cerca de 3,7 milhões de pessoas irão às urnas na Costa Rica neste domingo, no que será o primeiro turno das eleições presidenciais no país, em processo que decidirá quem vai suceder o presidente liberal Rodrigo Chaves, do partido Progresso Social Democrático.

Contudo, segundo as pesquisas mais recentes, há uma grande possibilidade de que este primeiro turno seja também o único, já que a candidata conservadora Laura Fernández, do partido Povo Soberano, lidera as pesquisas mais recentes com um percentual muito próximo dos 40% que, de acordo com a lei eleitoral costarriquenha, são suficientes para que um candidato seja considerado eleito.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Segundo o instituto Demoscopía, em levantamento publicado na última quarta-feira (28/01), Fernández tem 34,5% das intenções de voto, e uma ampla vantagem sobre o segundo colocado, Álvaro Ramos, do partido de centro-esquerda Liberação Nacional, que aparece com 11,3%.

Em terceiro lugar está Andrés Robles, da Frente Ampla, de esquerda, com 4,5%, enquanto Claudia Dobles, do partido de centro-direita Ação Cidadã, fica em quarto lugar, com 4,1%. O quinto colocado é Fabricio Alvarado, do partido fundamentalista evangélico Nova República, com 2,2%.

Mais lidas

O instituto também afirma que há 27,8% de eleitores indecisos. A lei eleitoral da Costa Rica estabelece que o voto é obrigatório.

Já a pesquisa do instituto CIEP, publicada na terça-feira (27/01), mostra Fernández com 43,8%, percentual suficiente para ser eleita. Em seguida aparecem: Ramos (9,2%), Dobles (8,6%), Robles (3,8%) e Alvarado (1,5%). Os indecisos, segundo esta medição, seriam 25,9%.

Fórmula eleitoral

Para uma candidatura vencer as eleições presidenciais na Costa Rica, segundo o Tribunal Supremo de Eleições (TSE) do país, ela precisa somente superar os 40% dos votos válidos, não importando a diferença de votos para a segunda candidatura mais votada.

A regra é diferente do que acontece, por exemplo, em países como Argentina e Bolívia, onde uma candidatura pode se eleger já no primeiro turno com mais de 40% dos votos, mas desde que tenha uma vantagem de mais de 10% sobre que ficou em segundo lugar.

A lei costarriquenha não ignora a possibilidade de que duas candidaturas ultrapassem a barreira dos 40% dos votos no primeiro turno. Nesse caso, a candidatura que tiver o maior número de votos seria considerada eleita, mesmo que tenha menos de 50% dos votos.

Ademais, no caso de que duas candidaturas tenham mais de mais de 40% dos votos e terminem empatadas no primeiro turno, o candidato com mais idade é declarado eleito.

Somente haverá segundo turno na Costa Rica se nenhuma candidatura superar a marca de 40% dos votos válidos.

A legislação também veda a possibilidade de reeleição consecutiva, razão pela qual o atual mandatário, Rodrigo Chaves, não pode concorrer no atual processo – mas poderia fazê-lo em 2030.

Quem for eleito no processo eleitoral deste ano terá um mandato de quatro anos, cujo início está programado para maio de 2026 e o término em maio de 2030.

Favorita

Como mostram as recentes pesquisas já citadas, existe grande possibilidade de que a candidata Laura Fernández, de 39 anos, do partido conservador Povo Soberano, seja eleita já no primeiro turno.

Fernández iniciou sua carreira como funcionaria pública trabalhando na Secretaria Setorial de Emprego Público, entre 2006 e 2014, e chegou a ser chefa da Unidade de Análise Prospectiva do Ministério de Planificação Nacional (MIDEPLAN), a partir de 2016.

Entre 2018 e 2022, ela foi assessora parlamentar da bancada do seu então partido, a Aliança Democrata Cristã.

Com a eleição de Chaves como presidente, Fernández dá o grande salto em sua carreira política, ao ser nomeada como ministra-chefe do MIDEPLAN, em maio de 2022.

O reconhecimento por trabalho na pasta a levou a ser nomeada ministra da Presidência em junho de 2024, passando a ocupar simultaneamente dois ministérios. Ela deixou ambos os cargos em janeiro de 2025, para lançar, semanas depois, sua pré-candidatura, presidencial.

Apesar de não ser do mesmo partido do presidente Rodrigo Chavez, Fernández conta com o apoio explícito do atual mandatário.

Entretanto, esta não é a primeira vez que Fernández participa de eleições presidenciais na Costa Rica.

Em 2018, ela foi candidata a vice-presidente pela Aliança Democrata Cristã, em chapa liderada por Mario Redondo. A candidatura teve 0,6% dos votos válidos no primeiro turno, cerca de 12,6 mil em votos absolutos, ficando na décima colocação.

No segundo turno, Fernández foi incorporada à equipe de campanha de Fabricio Alvarado, então representante do partido conservador Restauração Nacional, que venceu o primeiro turno com 25,1%, mas ficou com 39,4% no segundo, sendo derrotado pelo centrista Carlos Alvarado, do Ação Cidadã, que passou 21,6% no primeiro para 60,6% no segundo turno. Apesar do sobrenome, os dois políticos não são parentes.

Conservadora Laura Fernández lidera as pesquisas de intenção de voto na Costa Rica
Partido Povo Soberano

Denúncia de acosso

A colaboração de Fernández com Alvarado em 2018 veio à tona durante esta campanha de 2026, na qual o outrora aliado é um dos seus adversários, representante do partido evangélico Nova República.

Em debate realizado na última segunda-feira (26/01), a candidata acusou o adversário de tê-la acossado sexualmente durante aquele segundo turno, e não só ela como outras colaboradoras da campanha.

“Em nome das mulheres da Costa Rica, preciso levantar a minha voz, porque quando eu era assessora eu fui assediada, como muitas outras, fomos vítimas desse homem”, disse durante o programa, apontando a Alvarado.

Segundo Fernández, o candidato evangélico enviava “comentários e fotografias” sexuais a ela e outras funcionárias, e que em um episódio ele “me encurralou (numa sala), com a desculpa de me dar uma Bíblia”.

“O pior de tudo é a forma como fez, usando o nome de Deus”, argumentou a candidata, que também é evangélica.

Alvarado, de 51 anos, negou as acusações e acusou a adversária de tentar promover “uma campanha difamatória” contra ele.

Outros candidatos

Entre as demais candidaturas que compõem o grupo das cinco primeiras colocadas nas pesquisas, se destaca a de Álvaro Ramos, de 42 anos, candidato do Partido Liberação Nacional, de centro-esquerda, que foi chefe da Superintendência de Pensões entre junho de 2015 e maio de 2020, além de presidente executivo da Caixa Costarriquenha de Seguro Social, entre maio e setembro de 2022.

A candidatura mais à esquerda é a da Frente Ampla, encabeçada por Andrés Robles, de apenas 34 anos – a lei eleitoral exige que o candidato tenha no mínimo 30 anos –, e representantes da Assembleia Legislativa (unicameral) desde 2022.

Também está na disputa a representante do partido de centro-direita Ação Cidadã, Claudia Dobles, de arquiteta de 45 anos, que foi primeira-dama do país entre 2018 e 2022, já que é casada com o então presidente Carlos Alvarado.

Além dos candidatos já mencionados há outros 15 participando do pleito, sendo oito delas de direita: Claudio Alpízar, do partido Esperança Nacional; Douglas Caamaño, da Aliança Costa Rica Primeiro; Fernando Zamora, do Nova Geração; José Miguel Aguilar, do Avança; Juan Carlos Hidalgo, do Unidade Social Cristã; Marco Rodríguez, do Esperança e Liberdade; Natalia Díaz, do Unidos Podemos; Ronny Castillo, do movimento Aqui a Costa Rica Manda.

Quatro candidaturas se apresentam como “representantes de centro”: Ana Virginia Calzada, do partido Centro Democrático Social; Boris Molina, da União Costarriquenha Democrática (centro); Eliécer Feinzaig, do Partido Liberal Progressista; e Luis Amador, do Integração Nacional.

As candidaturas consideradas de esquerda são apenas três: David Hernández, do Partido da Classe Trabalhadora; Luz Mary Alpízar, do Progresso Social; e Walter Hernández, do Justiça Social Costarriquenha.