Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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A crise econômica na Argentina do presidente de extrema direita Javier Milei também é uma “crise do desejo”. Ao menos é o que diz um comunicado da Kopelco, fabricante da marca de preservativos Tulipán, uma das mais conhecidas desse mercado no país.

Na nota, divulgada em suas redes sociais no dia 18 de setembro, a empresa argumenta que há “uma crise do desejo na Argentina” para justificar a demissão de 60% dos seus funcionários.

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“Após décadas investindo em inovação, pesquisa e desenvolvimento, lamentamos informar que estamos enfrentando uma situação crítica. Já não sabemos o que fazer para que os argentinos transem”, salienta a Kopelco no comunicado.

A empresa também afirma ter registrado, nos últimos meses, a maior queda nas vendas de camisinhas dos últimos 40 anos, o que contribuiu para a decisão de demitir mais da metade dos empregados.

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O comunicado acrescenta que “durante todo esse tempo, nós trabalhamos para melhorar a experiência dos argentinos com o sexo, criando com novos preservativos, géis íntimos e brinquedos sexuais”.

“Porém, hoje existe uma variável que nenhum laboratório consegue controlar: estamos diante de uma crise de desejo na Argentina”, completa a nota.

Situação econômica

A “crise do desejo” alegada pela fabricante das camisinhas Tulipán acompanha uma crise econômica demonstrada em relatório divulgado esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec).

Segundo o informe, a Argentina registrou, no primeiro semestre de 2026 um aumento de 4,1 pontos percentuais dos níveis de pobreza, que passaram a atingir 32,3% da população – equivalente cerca de 15,5 milhões de pessoas.

Fabricante de camisinhas da Argentina alega queda vertiginosa das vendas nos últimos meses
Kopelco

A indigência também teve um crescimento de 1,2 ponto. Segundo o relatório, essa situação afeta atualmente 7,5% dos habitantes – cerca de 3,6 milhões de pessoas.

O relatório mostra que a Argentina passou a ter cerca de dois milhões de novos pobres a partir deste terceiro ano de mandato do governo de extrema direita de Milei.

O documento aponta os altos índices de inflação, a perda do poder de compra, a redução do emprego formal e a retração da atividade econômica em setores estratégicos da economia como fatores que podem ter contribuído com o aumento da pobreza.

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