Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O governo cubano agradeceu a nova ajuda enviada pela China em meio ao agravamento da crise econômica e energética da ilha e ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre Havana.

O terceiro carregamento de 15 mil toneladas de arroz doado por Pequim chegou a Cuba nesta semana, como parte de um pacote de 60 mil toneladas de alimentos prometido pelo governo chinês. A manifestação de Havana ocorre em um momento em que a escassez de combustível, os apagões prolongados e as dificuldades de abastecimento se aprofundaram.

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O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, agradeceu no sábado (15/08) ao Partido Comunista, ao governo e ao povo chinês pela chegada do terceiro lote. Segundo ele, o carregamento representa uma demonstração da “solidariedade e fraternidade inabaláveis” entre os dois países em momentos considerados particularmente difíceis para a ilha.

O novo carregamento corresponde à terceira de quatro remessas de 15 mil toneladas cada. O último lote está previsto para setembro. Os carregamentos anteriores foram distribuídos entre as províncias cubanas e também destinados a escolas, hospitais, lares maternos e instituições de assistência a idosos.

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A ajuda faz parte de um pacote aprovado pelo presidente chinês, Xi Jinping, em janeiro. Além das 60 mil toneladas de arroz, a China anunciou US$ 80 milhões em assistência financeira a Cuba. O país asiático já havia enviado anteriormente outras 30 mil toneladas de arroz e concedido uma doação de US$ 100 milhões à ilha em 2024.

China também atua na crise energética

A cooperação sino-cubana não se limita à alimentação. Em 7 de agosto, a China entregou um segundo lote de 5 mil sistemas fotovoltaicos destinados a ampliar o fornecimento de eletricidade em áreas rurais e apoiar serviços essenciais. Os equipamentos serão distribuídos pelos 169 municípios cubanos e poderão atender residências rurais, unidades de saúde, centros de atendimento infantil e outras estruturas consideradas prioritárias.

O envio ocorre em meio a uma das mais graves crises energéticas enfrentadas por Cuba. A falta de combustível e a deterioração da infraestrutura elétrica provocaram apagões que, em algumas regiões, chegam a superar 20 horas por dia. A crise também compromete transporte, produção de alimentos, serviços de saúde e atividade econômica.

A dimensão da participação chinesa levou o The Wall Street Journal a destacar a expansão do uso de equipamentos solares fornecidos por Pequim em Cuba justamente quando a ilha enfrenta dificuldades para obter combustíveis. A publicação descreveu a energia solar chinesa como uma das alternativas utilizadas por Havana para enfrentar a deterioração do sistema elétrico.

Carregamento enviado pela China faz parte de campanha de solidariedade internacional
Ministério de Relações Exteriores de Cuba

Pressão de Washington

A chegada dos donativos acontece em um contexto de forte deterioração das relações entre Cuba e Estados Unidos com ameaças da Casa Branca de invasão militar à ilha. A administração de Donald Trump intensificou a pressão econômica sobre Havana e, desde o início do ano, adotou medidas que afetaram diretamente o fornecimento de combustíveis. A crise energética resultante agravou problemas já existentes de abastecimento e infraestrutura.

Washington também apresentou uma oferta de aproximadamente US$ 100 milhões em assistência humanitária. Havana, porém, demonstrou desconfiança em relação à iniciativa e defendeu que qualquer ajuda americana fosse entregue sem condicionamentos políticos. O governo cubano argumentou que a retirada das sanções e das restrições econômicas teria impacto muito maior sobre a situação da população.

Em julho, os Estados Unidos começaram a enviar alimentos e produtos de higiene diretamente a cubanos, por meio de organizações religiosas e grupos independentes, evitando a intermediação do governo de Havana. A primeira remessa integra um programa de US$ 100 milhões anunciado por Washington.

A iniciativa americana diferencia-se das ações de países como China e Rússia porque Washington procura deliberadamente evitar que a assistência seja canalizada pelo governo cubano. O contraste tornou a ajuda humanitária também parte da disputa política entre os dois países.