Cuba chama de ‘falácia’ relatório sobre suposta espionagem e infiltração em Washington
Documento da Casa Branca alega que país socialista manteve agentes ‘durante décadas, nos mais altos escalões do país’; chanceler cubano acusa Marco Rubio de ser autor do informe
Em um relatório elaborado pelo Departamento de Estado, divulgado nesta segunda-feira (20/07), o governo dos Estados Unidos acusa Cuba de manter um grande aparato de espionagem, que foi capaz de se infiltrar até mesmo no Departamento de Defesa norte-americano.
Segundo o documento, a inteligência cubana manteve agentes dentro do corpo diplomático norte-americano e no Departamento da Defesa “durante décadas (…) nos mais altos escalões”.
O governo cubano reagiu à divulgação do documento por parte do governo dos Estados Unidos com um comunicado assinado por seu ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, no qual acusa o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de ser o autor intelectual do informe.
“A mais recente falácia do Departamento de Estado norte-americano contra Cuba forma parte da construção, pelo seu chefe (Rubio), de um pretexto para sustentar sua guerra econômica cruel e criminosa, que castiga cada família cubana, e sua aspiração de atacar militarmente a Cuba, para que busque desesperadamente o apoio dos cidadãos estadunidenses”, argumentou Rodríguez Parriilla.
O chanceler cubano também disse que “esta é outra evidência do plano macabro arquitetado por este político do sul da Flórida, que só serve aos interesses daqueles que sempre o pagaram”.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o governo dos Estados Unidos tem mantido o discurso de que poderiam agir a qualquer momento para promover uma “mudança de regime” em Cuba. Tais ameaças se intensificaram após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro passado.

O chanceler de Cuba, Bruno Rodriguez Parrilla
Ministério das Relações Exteriores de Cuba
‘Guerra de desgaste’
Um dos exemplos mencionados no informe é o de Ana Montes, uma analista dos serviços de informações militares dos Estados Unidos que foi condenada em 2002 por ter espionado a favor de Cuba entre os Anos 80 e 90 – foi libertada em 2023 após cumprir 20 anos de prisão.
Em outro trecho, o relatório indica que Cuba teria promovido “atividades subversivas contra o governo dos Estados Unidos” através de um suposto “suporte a redes revolucionárias”.
No entanto, o governo dos Estados Unidos também alega que “Havana nunca teve capacidade para derrotar os Estados Unidos em um conflito armado convencional”.
“Havana vem travando uma longa guerra de desgaste organizada em torno da espionagem, infiltração, sabotagem, redes paralelas e uma infraestrutura revolucionária destinada a colocar a população dos Estados Unidos contra o próprio país”, diz uma passagem do relatório.























