Cuba cobra ‘prioridade máxima’ para fim do bloqueio energético em reunião com delegação dos EUA
Governo cubano confirmou ter tido conversas 'sem prazos nem propostas ameaçadoras' com funcionários do Departamento de Estado norte-americano em Havana
O governo de Cuba confirmou ter tido uma reunião de caráter “respeitoso e profissional” em Havana com a delegação dos Estados Unidos. A confirmação foi dada na segunda-feira (20/14) pelo vice-diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores cubano, Alejandro García del Toro, responsável pelos assuntos norte-americanos ao jornal Granma, acrescentando que durante as conversações pediram à Casa Branca urgência na suspensão do cerco energético.
“Nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez propostas ameaçadoras”, disse García del Toro. De acordo com o diplomata, a delegação de Washington era composta por secretários assistentes do Departamento de Estado, enquanto do lado cubano participavam “no nível de vice-ministro das Relações Exteriores”.
O funcionário de alto escalão também enfatizou que essas reuniões são conduzidas sob um critério de discricionariedade devido à sensibilidade das questões abordadas no âmbito bilateral. A principal prioridade cubana no encontro foi a exigência de eliminar o cerco energético que pesa sobre o país.
“A eliminação do cerco energético contra o país era uma questão de máxima prioridade para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. Também é uma chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, em virtude das regras que regem o livre comércio”, disse.

Vice-diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores cubano, Alejandro García del Toro, responsável pelos assuntos norte-americanos, confirma reunião com delegação dos EUA em Havana
Ministério das Relações Exteriores de Cuba
Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva intensificando o bloqueio contra Cuba, ao declarar uma suposta emergência nacional, considerando a ilha uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional. A medida permitiu que Washington sancionasse países que tentassem fornecer petróleo direta ou indiretamente a Cuba, o que resultou em uma escassez de combustível e deflagrou uma grave crise humanitária e energética no país caribenho.
O governo de Cuba reiterou sua disposição de dialogar com as autoridades dos Estados Unidos, mantendo uma posição aberta à comunicação desde que as trocas sejam realizadas com base em respeito e não interferência. Em entrevistas a veículos norte-americanos, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel abriu a possibilidade de negociações e reiterou que o diálogo deve sempre ocorrer “em condições iguais” e com pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional.
(*) Com Telesur
























