Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, levou neste sábado (26/09) à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, a posição do governo cubano diante do aumento das medidas de pressão dos Estados Unidos contra a ilha. Em seu discurso no debate geral da 81ª sessão, o chanceler voltou a denunciar o bloqueio econômico, comercial e financeiro norte-americano e defendeu o direito da ilha à soberania e autodeterminação.

“Contra Cuba, o governo dos Estados Unidos leva a cabo uma guerra multidimensional, não convencional, que já dura quase sete décadas e se tornou mais dura e implacável nos últimos sete meses. Agora se somou o cerco energético, equivalente a um bloqueio naval, que é um ato de guerra”, disse. Para o chanceler, Cuba não é uma ameaça aos Estados Unidos, mas os embargos e o cerco econômico, sim.

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No discurso, Rodríguez explicou que o impacto de um cerco tão rigoroso e implacável tem um rosto humano: “a guerra econômica é dirigida contra o povo, recai sobre toda a população cubana, cobra vidas, provoca sofrimento individual e coletivo e gera angústia”. Para Cuba, “não se trata de um dano colateral; é uma política deliberadamente concebida para ferir o que há de mais sensível nas famílias cubanas, impedir o bem-estar e atingir a dignidade do povo”.

O chanceler cubado argumentou que o objetivo evidente e imediato é provocar uma crise humanitária em Cuba, “o que também constitui um crime”, disse. Ao contestar a afirmação do presidente dos Estados Unidos de que Cuba seria um “Estado falido”, o chanceler questionou: “se assim fosse, por que tiveram então de estabelecer um bloqueio de combustível? Por que impuseram sanções secundárias? Por que precisam ameaçar, perseguir e pressionar todos os Estados do planeta?”.

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O representante do Estado cubano informou à Assembleia Geral da ONU que “persiste a ameaça do uso da força militar contra Cuba, conduta que constitui uma violação do direito internacional e uma grave contravenção da Carta de São Francisco”. Na sequência, afirmou: “se isso se concretizar, constituirá um crime de grande magnitude, provocará mortes de cubanos e de jovens estadunidenses, além de uma enorme destruição. Esperamos que isso nunca aconteça”.

Resposta aos ataques de Trump

A intervenção ocorreu quatro dias após Trump utilizar seu discurso na Assembleia Geral para atacar o governo cubano. Trump afirmou que Cuba atravessa uma crise sem precedentes, classificou o país como um Estado falido e disse que a ilha “cairá”. A delegação cubana deixou o plenário durante a fala do presidente norte-americano.

Rodríguez respondeu às declarações ainda na terça-feira (22/09). Em mensagem divulgada por suas redes oficiais, afirmou que o governo dos Estados Unidos não aceita o direito de Cuba de existir como país independente e soberano e rejeitou as acusações feitas por Trump. Na Assembleia Geral, o chanceler reafirmou a posição dizendo que “o bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba permanece em vigor e foi reforçado de maneira sem precedentes”.

chanceler de cuba, Bruno Rodríguez
Bruno Rodríguez denuncia bloqueio dos EUA na Assembleia da ONU
UN Photos

Conforme declarou o chanceler em seu pronunciamento, “os Estados Unidos impõem a Cuba um cerco energético criminoso, que tem o propósito de provocar danos humanitários extraordinários”. Para Rodríguez, a Casa Branca “baseia-se em sanções, medo e obediência forçada, com a imposição dos interesses unilaterais dos Estados Unidos”.

O chanceler afirmou que o governo cubano continua disposto a dialogar com Washington para buscar uma solução para as divergências bilaterais, mesmo que nenhuma conversa esteja em curso. “Sempre estivemos e continuamos dispostos ao diálogo com o governo dos Estados Unidos para tentar encontrar uma solução para as diferenças bilaterais, com base na seriedade, no respeito, na igualdade soberana e na observância do direito internacional, sem ingerência nos assuntos internos nem precondições”, declarou.

Bloqueio e crise energética

A política dos Estados Unidos em relação a Cuba ocupou parte central da agenda da delegação cubana durante a semana de alto nível da ONU. Em intervenções realizadas antes do debate geral, Rodríguez afirmou que as restrições norte-americanas têm afetado o acesso de Cuba a combustível e dificultado suas relações comerciais e financeiras. O chanceler também relacionou as dificuldades enfrentadas pelo sistema elétrico cubano às medidas adotadas por Washington.

Em uma reunião de alto nível da Assembleia Geral sobre o direito ao desenvolvimento, realizada nesta semana, Rodríguez afirmou que as medidas econômicas norte-americanas constituem um obstáculo ao desenvolvimento cubano. A posição foi apresentada pelo governo cubano como parte de sua defesa do direito dos Estados ao desenvolvimento e à cooperação internacional.

A questão do bloqueio também está prevista na agenda da Assembleia Geral. Em julho, os Estados-membros aprovaram por 136 votos a 9, com uma abstenção, a realização de um novo debate sobre a necessidade de pôr fim ao embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. A resolução anual sobre o embargo deverá ser submetida novamente à votação durante a atual sessão.

Outro ponto de divergência entre Havana e Washington envolve a existência de negociações bilaterais. Durante seu discurso na ONU, Trump afirmou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estaria conduzindo negociações com o governo cubano. Rodríguez já havia contestado publicamente essa informação antes da intervenção deste sábado. Segundo o chanceler cubano, não existem negociações formais entre os dois governos nem acordos ou uma agenda conjunta em andamento.

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