Segunda-feira, 8 de junho de 2026
APOIE
Menu

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, informou nesta quinta-feira (14/05) que, pela primeira vez, o governo dos Estados Unidos formalizou publicamente uma oferta de assistência humanitária para a ilha.

O anúncio de Washington, feito por meio de um comunicado emitido pelo Departamento de Estado norte-americano no dia anterior, contempla uma ajuda avaliada em 100 milhões de dólares (cerca de R$ 570 milhões) “que seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes confiáveis”. 

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Em resposta à proposta, o chanceler cubano questiona se o apoio será entregue em dinheiro ou em recursos materiais. Rodríguez também ressaltou a importância dos fundos serem usados para cobrir as necessidades mais críticas que a população atualmente enfrenta, como resultado do bloqueio intensificado dos Estados Unidos. 

“De qualquer maneira, mesmo levando em conta a incongruência da aparente generosidade por parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo por meio da guerra econômica, o governo cubano não tem como prática rejeitar ajuda estrangeira que se oferece de boa-fé e com fins genuínos de cooperação, seja bilateral ou multilateral”, escreveu o ministro. “Tampouco tem inconvenientes em trabalhar com a Igreja Católica, com cujo esforço de cooperação tem uma longa e positiva experiência de trabalho conjunto”.

Mais lidas

Rodríguez enfatizou que espera que a ajuda esteja livre de manobras políticas “e tentativas de aproveitar a escassez e a dor de um povo sitiado”.

“A melhor ajuda que, neste e em qualquer momento, o governo dos EUA poderia dar ao nobre povo cubano é desescalar as medidas do bloqueio energético, econômico, comercial e financeiro, recrudescido como nunca antes nos últimos meses, o que afeta severamente todos os setores da economia e da sociedade cubana”, concluiu.

Os Estados Unidos, em seu comunicado, acusam infundadamente o país como “corrupto” e alegam que o governo continua “buscando reformas significativas ao sistema comunista”, ao dizer que “só serviu para enriquecer as elites e condenar o povo cubano à pobreza”. No entanto, não citam as históricas sanções impostas por Washington à nação caribenha, motivo pelo qual Cuba sofre de recorrentes crises energética e humanitária.  

A formalização pública da oferta de ajuda pelos Estados Unidos ocorreu dias após o próprio ministro das Relações Exteriores de Cuba negar as declarações do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que havia afirmado à imprensa que Washington disponibilizou a ajuda, mas que Havana evitou sua distribuição. A posição se deu devido à ausência de transparência sobre tal ajuda, a logística da entrega ou uma proposta formal às autoridades.

Desabastecimento total de combustível e diesel

No mesmo dia em que o Departamento de Estado norte-americano formalizou o fundo, o ministro de Minas e Energia de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou na quarta-feira (13/05) que o país está sofrendo com um desabastecimento total de diesel e óleo combustível, essenciais para manter funcionando o sistema elétrico, que é dependente de usinas termelétricas.

“A única coisa que temos é o gás de nossos poços, cuja produção aumentou”, afirmou O Levy, em uma declaração pública. Segundo o ministro, não há “absolutamente nenhum óleo combustível ou diesel”, sendo esta a causa dos apagões constantes na ilha. As cidades chegaram a ficar mais de 22 horas sem energia nesta semana. 

Ao mencionar o bloqueio norte-americano como motivo fundamental da situação, O Levy acrescentou que Cuba “não recebeu um único navio combustível” desde janeiro, fora o navio russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto que foi autorizado a atracar na ilha. Naquele mês, Washington anunciou sanções contra quaisquer países que fornecessem petróleo à população cubana. Na mesma época, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, um importante parceiro comercial de Cuba, foi sequestrado pela gestão de Donald Trump.

O governo cubano acusou, nesse sentido, os Estados Unidos pela situação “particularmente tensa” de sua rede elétrica.

De acordo com a AFP, cerca de 65% do território cubano, onde residem 9,6 milhões de pessoas, sofreu cortes simultâneos de energia elétrica na terça-feira (12/05). Ainda de acordo com a agência, sete das 15 províncias de Cuba foram afetadas por uma desconexão.

(*) Com Telesur