Cuba diz que EUA formalizaram pela primeira vez oferta de ajuda humanitária
Chanceler cubano afirmou que Havana não recusa auxílio com 'fins de cooperação', apesar da 'incongruência da aparente generosidade por quem submete povo a castigo coletivo'
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, informou nesta quinta-feira (14/05) que, pela primeira vez, o governo dos Estados Unidos formalizou publicamente uma oferta de assistência humanitária para a ilha.
O anúncio de Washington, feito por meio de um comunicado emitido pelo Departamento de Estado norte-americano no dia anterior, contempla uma ajuda avaliada em 100 milhões de dólares (cerca de R$ 570 milhões) “que seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes confiáveis”.
Em resposta à proposta, o chanceler cubano questiona se o apoio será entregue em dinheiro ou em recursos materiais. Rodríguez também ressaltou a importância dos fundos serem usados para cobrir as necessidades mais críticas que a população atualmente enfrenta, como resultado do bloqueio intensificado dos Estados Unidos.
“De qualquer maneira, mesmo levando em conta a incongruência da aparente generosidade por parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo por meio da guerra econômica, o governo cubano não tem como prática rejeitar ajuda estrangeira que se oferece de boa-fé e com fins genuínos de cooperação, seja bilateral ou multilateral”, escreveu o ministro. “Tampouco tem inconvenientes em trabalhar com a Igreja Católica, com cujo esforço de cooperação tem uma longa e positiva experiência de trabalho conjunto”.
Por primera vez, el gobierno de #EEUU formaliza de manera pública, mediante un comunicado del Departamento de Estado, un ofrecimiento de ayuda a #Cuba valorado en 100 millones de dólares.
Sigue sin aclararse si será ayuda en efectivo o material, y si se destinará a las… pic.twitter.com/GjOhrfkupt
— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) May 14, 2026
Rodríguez enfatizou que espera que a ajuda esteja livre de manobras políticas “e tentativas de aproveitar a escassez e a dor de um povo sitiado”.
“A melhor ajuda que, neste e em qualquer momento, o governo dos EUA poderia dar ao nobre povo cubano é desescalar as medidas do bloqueio energético, econômico, comercial e financeiro, recrudescido como nunca antes nos últimos meses, o que afeta severamente todos os setores da economia e da sociedade cubana”, concluiu.
Os Estados Unidos, em seu comunicado, acusam infundadamente o país como “corrupto” e alegam que o governo continua “buscando reformas significativas ao sistema comunista”, ao dizer que “só serviu para enriquecer as elites e condenar o povo cubano à pobreza”. No entanto, não citam as históricas sanções impostas por Washington à nação caribenha, motivo pelo qual Cuba sofre de recorrentes crises energética e humanitária.
A formalização pública da oferta de ajuda pelos Estados Unidos ocorreu dias após o próprio ministro das Relações Exteriores de Cuba negar as declarações do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que havia afirmado à imprensa que Washington disponibilizou a ajuda, mas que Havana evitou sua distribuição. A posição se deu devido à ausência de transparência sobre tal ajuda, a logística da entrega ou uma proposta formal às autoridades.
Desabastecimento total de combustível e diesel
No mesmo dia em que o Departamento de Estado norte-americano formalizou o fundo, o ministro de Minas e Energia de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou na quarta-feira (13/05) que o país está sofrendo com um desabastecimento total de diesel e óleo combustível, essenciais para manter funcionando o sistema elétrico, que é dependente de usinas termelétricas.
“A única coisa que temos é o gás de nossos poços, cuja produção aumentou”, afirmou O Levy, em uma declaração pública. Segundo o ministro, não há “absolutamente nenhum óleo combustível ou diesel”, sendo esta a causa dos apagões constantes na ilha. As cidades chegaram a ficar mais de 22 horas sem energia nesta semana.
Ao mencionar o bloqueio norte-americano como motivo fundamental da situação, O Levy acrescentou que Cuba “não recebeu um único navio combustível” desde janeiro, fora o navio russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto que foi autorizado a atracar na ilha. Naquele mês, Washington anunciou sanções contra quaisquer países que fornecessem petróleo à população cubana. Na mesma época, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, um importante parceiro comercial de Cuba, foi sequestrado pela gestão de Donald Trump.
O governo cubano acusou, nesse sentido, os Estados Unidos pela situação “particularmente tensa” de sua rede elétrica.
De acordo com a AFP, cerca de 65% do território cubano, onde residem 9,6 milhões de pessoas, sofreu cortes simultâneos de energia elétrica na terça-feira (12/05). Ainda de acordo com a agência, sete das 15 províncias de Cuba foram afetadas por uma desconexão.
(*) Com Telesur
























