Segunda-feira, 30 de março de 2026
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O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que as forças armadas do país estão se preparando para “a possibilidade de agressão militar” por parte dos Estados Unidos e que seria “ingênuo” da parte dos líderes cubanos ignorar a possibilidade de conflito.

“Nossas forças armadas estão sempre preparadas e, na verdade, estão se preparando nestes dias para a possibilidade de uma agressão militar”, disse à rede de televisão norte-americana NBC News, em entrevista que foi ao ar no domingo (22/03).

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“Seríamos ingênuos se não considerássemos a possibilidade de conflito”, acrescentou ele, “tendo em vista o que está acontecendo no mundo todo“. Fernández de Cossío afirmou que os líderes do país “esperam sinceramente que isso não aconteça. Não vemos por que isso teria que acontecer e não encontramos nenhuma justificativa para tal”.

O vice-chanceler ainda afirmou que o bloqueio do petróleo é resultado da agressão dos Estados Unidos contra Cuba e que “não pode ser sustentado indefinidamente”.

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“O que está acontecendo hoje é que os EUA estão ameaçando com medidas coercitivas os países que possam exportar combustível para Cuba, e essa é a razão pela qual Cuba não recebe combustível há muito tempo”, declarou. “É uma situação muito grave, e estamos agindo da forma mais proativa possível para lidar com ela. Esperamos que o combustível chegue a Cuba de uma forma ou de outra, e que esse boicote imposto pelos Estados Unidos não dure para sempre.”

Por sua vez, sobre os comentários de Donald Trump de que “Cuba vai cair muito em breve” e que seria uma “honra anexar” a ilha socialista, Fernández de Cossío disse: “Não sabemos do que eles estão falando. Mas posso afirmar o seguinte: Cuba é um país soberano e tem o direito de ser um país soberano.”

O chanceler também respondeu aos comentários feitos pelo secretário de Estado, Marco Rubio, de que Havana está “com muitos problemas, e as pessoas no comando não sabem como resolvê-los, então precisam colocar novas pessoas no comando”.

O representante cubano insistiu que a mudança de regime não estava em discussão nas negociações entre os dois países. “A natureza do governo cubano, a estrutura do governo cubano e os membros do governo cubano não fazem parte da negociação. Isso é algo que nenhum país soberano negocia”, disse.

Questionado se os líderes cubanos estariam dispostos a permitir que mais de um partido político atuasse no país, Fernández de Cossío criticou duramente o sistema político dos EUA, dizendo: “É uma questão interna de Cuba. Os Estados Unidos têm apenas dois partidos políticos que podem chegar ao governo. Eles estão dispostos a negociar, a ter 10 partidos com chances iguais de chegar à presidência, de entrar no Congresso? Tenho certeza de que os Estados Unidos não negociariam isso com nenhum país.”

Restauração do sistema energético

Após o colapso da rede elétrica em todo o país no sábado à tarde e à noite, Cuba começou a recuperar seu sistema energético neste domingo.

Um relatório da empresa estatal de eletricidade Unión Eléctrica e do Ministério de Energia e Minas indicou que, no início da manhã de domingo, cerca de 72 mil clientes na capital — incluindo cinco hospitais — já tinham o serviço de energia elétrica restabelecido, e em províncias como Matanzas, no oeste, ou Holguín, no leste, “microssistemas” locais haviam sido criados para os centros vitais mais importantes.

O Sindicato dos Trabalhadores da Energia Elétrica informou que a desconexão total do Sistema Nacional de Energia ocorreu devido a uma parada inesperada de uma unidade geradora na usina termelétrica de Nuevitas, na província de Camagüey, mas não especificou a causa da falha.

As autoridades cubanas e o próprio presidente Miguel Díaz-Canel reconheceram a gravidade da recente crise energética. O vice-ministro de Energia e Minas, Argelio Abad Vigo, explicou esta semana que o país está há três meses sem receber suprimentos de diesel, óleo combustível, gasolina, querosene de aviação ou gás liquefeito de petróleo, todos vitais para a economia e a geração de energia.

O racionamento de combustível para veículos está em vigor, as companhias aéreas suspenderam voos ou reduziram a frequência, e a jornada de trabalho foi reduzida em muitos centros.

Cuba produz apenas cerca de 40% do combustível necessário para abastecer sua economia, que foi severamente afetada pela crise econômica iniciada no começo da década, após a pandemia e o aumento das sanções americanas. Para o restante, o país depende de importações da Rússia, México e Venezuela, países que não produzem combustível suficiente.

Além disso, as grandes usinas termoelétricas estão em operação há mais de 30 anos, e a manutenção e os investimentos em capital foram limitados. As autoridades lançaram um plano de energia fotovoltaica que vem sendo implementado nos últimos meses.