Cuba reitera abertura ao diálogo, mas alerta ‘uso de força’ em caso de agressão militar dos EUA
Chanceler cubano Bruno Rodríguez afirma que ofensiva norte-americana contra seu país será 'um banho de sangue'; ONU convoca sessão para denunciar ameaças de Washington
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou na terça-feira (30/06) que seu país está aberto ao diálogo com Washington, mas, ao mesmo tempo, está se preparando para se defender com todas as suas forças.
“Uma agressão militar contra Cuba terá que ser enfrentada com toda a força do nosso Estado, por todo o nosso povo. Será um banho de sangue: milhares e milhares de cubanos morrerão, e jovens americanos também morrerão, arrastados para uma guerra que não lhes pertence e que não faria sentido algum. Seria uma guerra sem qualquer apoio, porque hoje a maioria dos cidadãos americanos, contribuintes, eleitores americanos, e também os cubanos residentes nos Estados Unidos e em todo o mundo, opõem-se ao endurecimento do embargo de combustível e ao bloqueio, e também se opõem a uma aventura militar contra Cuba”, disse o ministro das Relações Exteriores em entrevista à CNN.
Em resposta, Havana mantém seu compromisso com o diálogo. “O governo dos Estados Unidos continua a implementar medidas de bloqueio energético cada vez mais severas e a intensificar o embargo com o propósito deliberado de causar sofrimento e dor insuportáveis ao nosso povo e desestabilizar o país. Apesar disso , manteremos nossa disposição para dialogar e continuaremos a cooperar com o governo dos Estados Unidos, apesar desse comportamento inaceitável”, afirmou Rodríguez.
“É claro que qualquer ameaça deve ser levada a sério, e é por isso que estamos nos preparando para defender nossa independência e soberania em caso de ataque. Mas sempre agiremos exclusivamente em legítima defesa”, acrescentou.
Além disso, ele denunciou que a política de Washington representa “um ato de punição coletiva que acentua a natureza genocida do bloqueio, o qual constitui um crime contra a humanidade”.
Ofrecí entrevista al periodista de @CNNEE @jclopezcnn.
Abordé la situación actual en #Cuba, provocada por las medidas de recrudecimiento extremo del bloqueo, el cerco energético y las sanciones secundarias impuestas por el gobierno de EEUU.
Comenté sobre la sesión de la… pic.twitter.com/ddJa6mYxld
— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) July 1, 2026
O ministro comentou sobre os fracassos no diálogo com os EUA. “Há conversas diplomáticas entre os governos dos EUA e de Cuba que não mostram nenhum progresso. Há uma contradição flagrante e notória entre a abordagem respeitosa, e geralmente respeitosa, dos seus homólogos americanos nessas conversas diplomáticas e a sua conduta, e a conduta do Secretário de Estado [Marco Rubio] e do governo dos EUA está fora de sintonia com essas conversas”, afirmou.
No dia 7 de julho, será realizada uma sessão da Assembleia Geral da ONU para denunciar a escalada da agressão e das ameaças dos EUA.
Contexto atual
O contexto de 2026 é o mais tenso em muito tempo no que diz respeito à pressão dos EUA sobre a ilha. Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta à alegada “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região.
Ele também anunciou a imposição de tarifas sobre os países que vendem petróleo para a nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel respondeu que “esta nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano para obter ganhos puramente pessoais”.
Mais recentemente, o presidente enviou uma mensagem ao governo dos EUA: “Se vocês realmente querem ajudar o povo cubano, deixem-nos viver! Deixem Cuba comercializar; deixem Cuba comprar seus medicamentos; deixem Cuba importar seu combustível; deixem Cuba receber investimentos, empréstimos, financiamento e manter relações normais com seus emigrantes e com o mundo. Deixem Cuba mostrar ao mundo do que este povo é capaz quando não há obstáculos aos seus esforços para se reerguer!”
























