Cuba rejeita acusação de terrorismo dos EUA e propõe diálogo
Chancelaria cubana nega alegações usadas para justificar sanções e classificação de 'ameaça' de Washington: 'não abrigamos bases militares ou de inteligência estrangeiras'
O governo cubano reiterou no domingo (01/02) sua condenação “inequívoca” do terrorismo “em todas as suas formas e manifestações” e reafirmou seu compromisso de cooperar com os Estados Unidos e outras nações “para fortalecer a segurança regional e internacional”.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirma: “Cuba declara categoricamente que não abriga, apoia, financia ou permite organizações terroristas ou extremistas”.
O texto também enfatiza que o país caribenho “mantém uma política de tolerância zero em relação ao financiamento do terrorismo e à lavagem de dinheiro, e está comprometido com a prevenção, detecção e combate de atividades financeiras ilícitas, em conformidade com os padrões internacionais”.
A declaração do Ministério das Relações Exteriores também aborda uma das questões que serviram de base para a inclusão da ilha na lista unilateral dos EUA de estados que supostamente patrocinam o terrorismo.
“Qualquer interação anterior envolvendo indivíduos posteriormente designados como terroristas ocorreu apenas em contextos humanitários limitados, ligados a processos de paz internacionalmente reconhecidos, a pedido de seus respectivos governos, de forma totalmente transparente”, recorda o texto.
🇨🇺 | #Cuba condena el terrorismo y reafirma su cooperación en materia de seguridad y lucha contra el lavado de dinero.
📌 Declaración del Ministerio de Relaciones Exteriores
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— Cancillería de Cuba (@CubaMINREX) February 2, 2026
Ele enfatiza, ao mesmo tempo, que Cuba “não abriga bases militares ou de inteligência estrangeiras e rejeita a caracterização de ser uma ameaça à segurança dos Estados Unidos” e “não apoiou nenhuma atividade hostil contra esse país, nem permitirá que nosso território seja usado contra outra nação”.
Pelo contrário, ele destaca: “Cuba está disposta a reativar e expandir a cooperação bilateral com os Estados Unidos para enfrentar ameaças transnacionais comuns, sem jamais renunciar à defesa de sua soberania e independência”.
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” para justificar a imposição de tarifas sobre produtos de países que vendem ou fornecem petróleo, direta ou indiretamente, para a ilha.
A ordem também afirma que “Cuba acolhe grupos terroristas transnacionais” e “apoia o terrorismo”, alegações há muito desacreditadas que têm sido um dos argumentos usados para manter Havana na lista unilateral de estados que supostamente patrocinam o terrorismo.
Em comunicado divulgado na noite de domingo (01), o Ministério das Relações Exteriores de Cuba afirmou que o país “propõe renovar a cooperação técnica com os Estados Unidos” em áreas como o combate ao terrorismo, a prevenção da lavagem de dinheiro, o combate ao narcotráfico, a segurança cibernética, o tráfico de pessoas e os crimes financeiros.
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Ele afirma que a nação caribenha continuará a fortalecer seu arcabouço legal para apoiar esses esforços, “ciente de que, quando há vontade por parte das partes, progressos são feitos nessas frentes”.
O Ministério das Relações Exteriores afirma em comunicado que o povo cubano e o povo norte-americano “beneficiam-se de um diálogo construtivo, da cooperação em conformidade com a lei e da coexistência pacífica”.
Cuba — conclui o documento — “reafirma sua disposição de manter um diálogo respeitoso e recíproco, orientado para resultados tangíveis com o Governo dos Estados Unidos, baseado em interesses mútuos e no direito internacional”.























