Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
APOIE
Menu

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (09/07) o envio de uma solicitação formal ao Reino Unido pela liberação do ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra e bloqueado desde 2019, e cujas reservas alcançariam um valor de cerca de US$ 2 bilhões.

O pedido foi oficializado mediante uma carta enviada ao rei Charles 3º e usa como principal argumento a necessidade do país sul-americano de utilizar seus recursos para financiar os trabalhos de reconstrução das regiões afetadas pelo duplo terremoto que sacudiu o país em 24 de junho.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Em sua declaração, transmitida pelo canal público de televisão VTV, Delcy alegou que “esse ouro depositado no Banco da Inglaterra pertence ao nosso povo e deve ser usado para lidar com as terríveis e trágicas consequências deste duplo terremoto”.

A decisão de congelar os fundos da Venezuela foi tomada pelo Banco da Inglaterra, com respaldo do governo britânico, que à época passou a apoiar o reconhecimento do líder opositor Juan Guaidó como presidente do país sul-americano, desconhecendo que Nicolás Maduro era quem exercia o cargo naquele então.

Mais lidas

Em sua declaração nesta quinta, a mandatária interina também fez um apelo “aos governos de todo o mundo que congelaram ativos para que os liberem, para que a Venezuela possa avançar com esse processo de recuperação o mais rápido possível”.

“A Venezuela possui recursos bloqueados em todo o mundo, os quais podem ajudar no processo de reconstrução das regiões danificadas, e também na recuperação da economia local que também está sendo afetada pela tragédia”, explicou a presidente da Venezuela.

A onda de terremotos na Venezuela é chamada de “duplo terremoto” porque teve início no dia 24 de junho com dois grandes sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, em um intervalo de 39 segundos entre ambos, que atingiram principalmente a região de La Guaira – cidade onde foi o epicentro – e arredores.

Após os dois sismos originais, a zona passou a sofrer com réplicas constantes – ou seja, novos movimentos sísmicos, que correspondem à reacomodação das placas tectônicas cujo choque gerou os terremotos iniciais. A magnitude dessas réplicas tem variado entre 4 e 5 graus.

Contato com FMI

Em outro momento da declaração, Delcy informou ter conversado por telefone com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, com quem também teria abordado a questão dos fundos venezuelanos bloqueados em instituições bancários ao redor do mundo.

Sobre esse diálogo, Delcy se disse agradecida a Georgieva “pela compreensão em relação à liberação dos recursos venezuelanos bloqueados e mantidos pelo FMI”.

Delcy enviou solicitação sobre recursos venezuelanos ao monarca britânico Carlos 3º
Presidência da Venezuela

Sepulturas dignas

Até o momento, os registros oficiais dos trabalhos de resgate contabilizam pouco mais de 3,8 mil vítimas fatais, além de 16,7 mil pessoas feridas e 6,4 pessoas resgatadas com vida dos escombros.

Porém, mas ainda há mais de 29 mil pessoas consideradas desaparecidas, e 17,9 mil que sobreviveram à tragédia, mas se encontram desabrigadas, após terem suas moradias destruídas.

O Serviço Nacional de Medicina Legal da Venezuela informou, também nesta quinta, sobre o início de uma operação especial no Cemitério La Esperanza, localizado no estado de La Guaira, para garantir um sepultamento digno e individualizado a todas as vítimas do duplo terremoto.

Em entrevista ao canal TeleSur, José Manuel Suárez Maldonado, prefeito do município de Vargas – um dos mais atingidos pela tragédia – relatou que o governo nacional venezuelano colocou à disposição das autoridades da zona “os mecanismos necessários para prestar assistência humanitária às famílias afetadas”.

“A ordem é para seguir rigorosamente os protocolos internacionais de saúde que regem esse tipo de emergência”, frisou o gestor municipal.

Contudo, Suárez Maldonado ressalta que, embora essas diretrizes internacionais permitam, em teoria, o uso de valas comuns em casos de perdas humanas massivas, o governo de Delcy Rodríguez “afirmou expressamente a decisão de descartar essa alternativa e optar por um procedimento que garante a identificação e a proteção individual de cada vítima e a assistência aos familiares sobreviventes”.