O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, voltou a criticar duramente as sanções estadunidenses contra o país neste domingo (26/07), durante cerimônia realizada em Pinar del Río em celebração aos 73 anos do assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes.
Em seu discurso, o líder cubano descreveu a postura de Washington como “genocida” e resultado de um cálculo deliberado.
Falando na Praça da Revolução da cidade, Díaz-Canel traçou um paralelo entre a resistência das gerações cubanas de hoje e a dos combatentes que participaram da ação armada de 26 de julho de 1953. “As gerações atuais vão contra os muros de uma política genocida que tem tentado asfixiar todo o povo [cubano] para se apropriar do país”, denunciou o mandatário.
O presidente também acusou o governo americano de conduzir uma estratégia de “asfixia econômica máxima” contra a ilha, citando o cerco ao setor energético e financeiro cubano como origem da crise que assola o país.
Díaz-Canel ainda listou as consequências que a intensificação do bloqueio por parte dos Estados Unidos têm causado, após mais de seis décadas de resistência. Entre eles, estão apagões que somam mais de 24h, acarretando a paralisação de atividades industriais.
Na área da saúde, carro-chefe das políticas públicas de Estado cubanas, o presidente informou terem sido cancelados mais de 100 mil procedimentos cirúrgicos, ocasionados, justamente, pela falta de energia elétrica, além de óbitos que ocorreram pela escassez de medicamentos.
Em resposta à política agressiva estadunidense, o mandatário afirmou que a paz global está ameaçada pela injustiça social. “A única ameaça real contra a paz mundial e contra a vida humana é a política de agressões que provoca fome, empobrecimento, migrações forçadas, caos, instabilidade e dezenas de milhões de mortes”, discursou o presidente.
O embargo comercial e econômico dos Estados Unidos contra Cuba já dura mais de 60 anos. Contudo, desde a posse de Donald Trump para seu segundo mandato, em janeiro de 2025, as restrições impostas à ilha voltaram a ser intensificadas.
Segundo o governo cubano, essa política de alcance extraterritorial vem acompanhada de ameaças diretas, incluindo declarações do próprio Trump sobre a possibilidade de recorrer à força militar para provocar a queda do governo em Havana.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel
Prensa Latina
A data de 26 de julho relembra o ataque de 1953 liderado por Fidel Castro contra o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e o quartel Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo.
Embora tenha fracassado do ponto de vista militar, o episódio é considerado o ponto de partida do processo que levaria à Revolução Cubana, seis anos depois.
A efeméride deu nome ao “Movimento 26 de Julho”, grupo que Fidel Castro viria a comandar na luta que culminou na derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, em 1959.