Quinta-feira, 16 de abril de 2026
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“O governo cubano sempre foi muito solidário com o resto do mundo. No Brasil, recebemos Médicos Sem Fronteiras. É um dever global prestar solidariedade ao povo cubano quando a sua soberania está sendo ameaçada pelo governo imperialista estadunidense”, denunciou a ativista brasileira Lisi Proença à Opera Mundi.

O primeiro navio da flotilha humanitária Nuestra América chegou a Cuba nesta terça-feira (24/03), transportando dezenas de toneladas de ajuda humanitária à população da ilha caribenha, que enfrenta uma grave crise energética e escassez de produtos básicos. A embarcação Granma 2.0, que partiu do México e atracou em Havana, contou com 32 voluntários de 11 países, entre eles a brasileira Lisi Proença e o também brasileiro Thiago Ávila.

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A brasileira acrescenta que a ilha socialista tem um grande histórico de solidariedade. “No Caribe, Cuba ajudou quando os furacões atingiram a região e também enviaram ajuda humanitária ao Haiti. Enviaram pessoas para lutar contra o apartheid na África do Sul”, exemplificou.

A ativista contou que o comboio Nuestra América “é uma iniciativa de vários grupos que prestam solidariedade anualmente a Cuba, encabeçada pela Progressive International, Code Pink, nós da Global Summond Flotilla e por vários jornalistas, youtubers e comunicadores para ajudar a gente a contar essa história e principalmente denunciar o bloqueio estadunidense”, destacou.

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A ajuda humanitária consiste em 30 toneladas de alimentos, remédios e produtos de higiene, além de 73 painéis solares e baterias de lítio destinados a mitigar a crise energética – um dos setores mais afetados da ilha. “As pessoas que foram de avião também levaram ajuda humanitária, remédios, alimentos e painéis solares nas bagagens e no porão dos aviões”, adicionou

“Por conta das restrições impostas pelo governo imperialista estadunidense, nós precisamos continuar fazendo essas flotilhas e achar um jeito de levar esses painéis solares através da solidariedade internacionalista. Quanto mais aumentam a pressão, mais nos obrigam a sermos criativos e nos organizarmos melhor e de formas maiores”, apontou.

 

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Um post compartilhado por Lisi Proenca (@lisiproenca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última segunda-feira (16/03) que seria uma “honra” para ele “tomar Cuba”. A declaração é mais um capítulo da escalada de pressão dos norte-americanos sobre a ilha comunista. Proença acrescenta que é por esse motivo que “ele aumenta a pressão e o cerco tentando impossibilitar mesmo a vida na ilha para que ele possa entrar lá com seu programa de sua propaganda de que está salvando o povo”.

“É nesse cenário que surge a ideia de realizarmos o comboio, no qual as pessoas que se organizam ao longo dos anos em solidariedade denunciam o bloqueio, furam a bolha e fazem as autoridades do mundo prestarem atenção. Porque o que os Estados Unidos faz de forma unilateral no sistema imperialista é impossibilitar que o povo da América Latina seja soberano”, denunciou.

A ativista também relata que enquanto estavam na ilha levando a ajuda humanitária, presenciaram um dos apagões e reafirmou que “o governo cubano faz o que pode nas suas organizações para manter a distribuição de alimentos para manter a vida”.

Por sua vez, Lisi Proença também criticou a frágil posição do presidente Lula, que “se posiciona muito, apenas na fala”.

“Sempre se posiciona a favor da soberania da ilha, mas falta ação mesmo de levar ajuda humanitária, impor sanções contra o imperialismo estadunidense, assim como falta posicionamento e a disposição para romper relações com o regime sionista de Israel também. O governo brasileiro tem se posicionado na fala a favor dos povos do mundo, mas tem feito, na prática, muito pouco”, denunciou.

Membros detidos

Quebrar o cerco levando ajuda humanitária não foi tão difícil quanto voltar para casa. Isso porque alguns membros que participaram do comboio foram detidos em aeroportos.

Proença conta que 16 ativistas dos Estados Unidos foram interrogados em Miami, incluindo “Chris Smalls, que esteve na última flotilha para Gaza e é companheiro do Code Pink”. Acrescentando que “companheiros que estavam no barco com a gente também foram detidos no retorno para os Estados Unidos e interrogados”.

O ativista Thiago Ávila foi levado para um interrogatório pela polícia durante uma conexão no Aeroporto Internacional de Tocumen, na Cidade do Panamá. Segundo sua equipe de comunicação, o brasileiro ficou mais de seis horas em interrogatório.

Na publicação mais recente, a equipe de comunicação de Ávila difundiu uma mensagem enviada pelo próprio ativista: “Muito obrigado pela solidariedade! Eles acham que podem nos intimidar, mas tudo o que fazem é aumentar nossa vontade e senso de urgência para derrotar o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense, e seu projeto de dominação que tem efeitos horrendos em tantos países”.

“Não vamos parar até construirmos uma sociedade livre de exploração, livre de opressão e livre da destruição da natureza. Uma sociedade onde as pessoas tenham o direito de viver em paz com justiça, onde a felicidade, o amor e a solidariedade sejam a base”, concluiu.